quinta-feira, 23 de julho de 2015

O assassinato de Anísio Teixeira


O assassinato de Anísio Teixeira
A história tem dessas coisas: as ditaduras acreditam poder esconder as patas depois de cometer crimes, e as patas sujas de sangue um dia reaparecem.


Agnaldo Novais/Agecom Bahia
O educador Anísio Teixeira
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Em 11 de março de 1971, Anísio Teixeira passou boa parte da manhã na Fundação Getúlio Vargas (FGV), na Praia do Botafogo, no Rio de Janeiro. Joaquim Faria de Góes Sobrinho, amigo e colaborador de Anísio, colega de trabalho, soube da visita que ele faria ao apartamento de Aurélio Buarque de Holanda, situado na Praia do Botafogo, 48, edifício Duque de Caxias. Sugeriu-lhe fosse a pé. De carro, teria de dar muitas voltas.

Anísio saiu antes das 11 horas em direção ao apartamento de Aurélio Buarque de Holanda, aceitando recomendação de Sobrinho. Almoçaria com ele, e pediria voto: era candidato a membro da Academia Brasileira de Letras. Depois desse almoço, iria para a Editora Civilização Brasileira, na Glória, Rua Benjamin Constant. Ali, trabalhava como consultor.

Anísio tinha uma rotina relativamente rigorosa. Chegava da Civilização Brasileira entre 18,30 e 19 horas. Neste dia 11, um pouco antes das 20 horas, a mulher de Anísio, Emília Ferreira Teixeira, liga para a filha Anna Christina Teixeira Monteiro de Barros, preocupada: nada de Anísio chegar. A filha tranqüilizou-a: o pai poderia ter saído com o embaixador Paulo Carneiro, seu amigo e um dos articuladores de sua candidatura à Academia. Carneiro era representante do Brasil na UNESCO, em Paris, em visita ao Brasil naquele momento.

Mas, o tempo passava, e nada de Anísio. Logo, o apartamento, à Rua Raul Pompéia, 58, apartamento 803, em Copacabana, começou a se encher de parentes e amigos. Começa uma via-crucis: delegacia de polícia de Copacabana, onde não havia qualquer notícia; não estivera na Editora Civilização Brasileira. Terminaram o dia no Hospital Miguel Couto, onde também não havia sinal dele.

Dia seguinte: não estivera também no edifício de Aurélio Buarque de Holanda. Tudo muito estranho, a família em polvorosa. E mais angustiado ficaram todos quando o jornalista Artur da Távola, genro de Anísio, informa que o acadêmico Abgar Renault soubera do comandante do I Exército, Sizeno Sarmento, que Anísio Teixeira estava “detido para averiguações” em dependências da Aeronáutica.

No dia 13, jornais noticiam o desaparecimento do educador. E às 17 horas, Anna Christina recebe um telefonema: “aqui é da polícia...”. Ela passa o telefone para Lúcio Abreu, amigo da família. O educador fora encontrado morto, nas palavras da polícia, no fosso do elevador do edifício onde residia Aurélio Buarque de Holanda.

O corpo estava agora no Instituto Médico Legal. Fora retirado do fosso sem perícia técnica. Na autópsia, estiveram presentes o acadêmico Afrânio Coutinho, o neurologista Djalma Chastinet Contreiras e os médicos Francisco Duarte Guimarães Neto, Domingos de Paula e Deolindo Couto, estes três, professores da UFRJ. Segundo relato dos presentes, havia duas grandes lesões traumáticas no crânio e na região supra-clavicular, incompatíveis com a suposta queda. Relatam, também, a existência de um instrumento cilíndrico, provavelmente de madeira, presumível causador das lesões. O legista, quando prosseguia com sua descrição, foi interrompido abruptamente por dois funcionários provenientes do local de onde o corpo fora retirado, que afirmavam ter sido “morte acidental por queda em fosso de elevador”.

No edifício onde Aurélio Buarque de Holanda morava, outro genro de Anísio, Mário Celso da Gama Lima, junto com um detetive policial, José Pinto, constatava: o corpo não poderia ter caído do alto e chegado ao ponto onde fora encontrado. Não passaria entre duas vigas logo acima, separadas entre si por uma distância de pouco mais de 20 centímetros. As lentes intactas dos óculos de Anísio, encontradas no local, outra evidência da farsa – não havia, então, lentes inquebráveis. Os dois subiram para testar as portas dos elevadores de cada um dos andares. Não conseguiram abrir nenhuma delas.

Mário vai ao IML, a autópsia em curso, ele não consegue assisti-la. O médico e professor da UFRJ, Francisco Duarte Guimarães, havia assistido, e lhe diz sem qualquer vacilação: “Mário, tio Anísio foi assassinado”. Dos que assistiram a autópsia, Mário ouviu a certeza: Anísio fora assassinado.

Foi enterrado no dia 14 de março de 1971, no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. A morte ocorria menos de dois meses depois da prisão, tortura e desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva, também no Rio de Janeiro. À época, os esforços para elucidar o caso junto à delegacia responsável esbarravam no fato de que a polícia só admitia tratar o fato como crime comum, malgrado admitisse a hipótese de assassinato. Quando houve a tentativa de incriminar serventes, o filho de Anísio, Carlos Antonio Teixeira, resolveu suspender a investigação.

Esclareço que essas informações estão baseadas em textos produzidos principalmente pelo professor João Augusto de Lima Rocha, da Escola Politécnica da UFBA, membro do Conselho Curador da Fundação Anísio Teixeira e da Comissão da Verdade da UFBA, autor do livro “Anísio em Movimento” e, também, no Memorial enviado à Comissão Nacional da Verdade e à Comissão da Memória e Verdade Anísio Teixeira, da Universidade de Brasília, assinado pelo filho de Teixeira, Carlos Antonio Ferreira Teixeira; por Haroldo Lima, ex-deputado federal, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo e sobrinho-neto de Anísio Teixeira, e pelo próprio João Augusto.

O Memorial anexa matéria do jornal Última Hora, de 15 de março de 1971, onde sérias dúvidas são apresentadas em relação à tese de acidente. A polícia, em princípio, segundo a reportagem, conclui que se Anísio tivesse caído no espaço do elevador de serviço jamais iria cair no platô.

O repórter informa: o corpo estava exatamente sobre o platô, de cócoras, com a cabeça sobre os joelhos e as mãos segurando as pernas. Entre os pés, uma poça de sangue. Na parede, bem no canto, abaixo das duas pilastras, alguns pingos de sangue. Mais nada. E as pilastras não mostravam ranhuras no cimento, na pintura, nem marcas de sangue, coisa que aconteceria se o corpo tivesse batido ali. Ainda segundo a reportagem: quando a portinhola que dá acesso ao platô foi aberta e encontrado o cadáver, outra porta, a da casa de força também estava escancarada. A perícia encontrou ali muitos respingos de sangue.

Outra conclusão categórica da polícia, ainda segundo a matéria: acidente é praticamente impossível. A posição do corpo feria tudo o que já fora visto até ali em acidentes como aquele. “Alguém matou e colocou ali o cadáver do professor Anísio Teixeira”. O repórter anota ainda outras observações da polícia: o chão em volta da portinhola que dá acesso ao poço do elevador havia sido lavado, os óculos de Anísio haviam sido encontrados em uma das pilastras e tudo leva a crer que foram colocadas ali,  e ao ser retirado do fosso o cadáver estava sem sapatos e sem paletó. E os elevadores haviam sido revisados havia apenas 20 dias.

O Memorial relata, ainda, depoimento de Luís Viana Filho, de 1988, dado ao professor João Augusto de Lima Rocha, que preparava então o livro “Anísio em Movimento”, publicado pela Fundação Anísio Teixeira, em 1990, e republicado pela Editora do Senado, em 2002. Viana Filho, no depoimento, informa que, procurado pela família, buscou notícias, e recebeu a informação de que Anísio fora detido pela Aeronáutica para esclarecimentos, mas que seria libertado.

E noutro depoimento, dado em 1989, Afrânio Coutinho diz acreditar que Anísio fora morto sob torturas. E diante de James Amado, sua esposa Luiza Ramos, Pedro Roberto Ivo das Neves e do próprio João Augusto, disse ter escrito um documento sobre o episódio, depositado no cofre da Academia Brasileira de Letras, com a recomendação de só ser aberto 50 anos após a ocorrência dos fatos, em 2021, portanto. Coutinho cita o brigadeiro Burnier como um dos responsáveis pelo assassinato de Anísio, o mesmo Burnier dos sinistros planos do Para-Sar e da explosão do gasômetro da Avenida Brasil, abortados pela resistência do capitão Sérgio Macaco.

São muitas as evidências de que Anísio Teixeira foi morto sob tortura. A história tem dessas coisas: as ditaduras acreditam poder esconder as patas depois de cometer crimes, e as patas sujas de sangue um dia reaparecem. É momento de resgatar a memória, revelar a verdade, fazer justiça. Sem condescendência com os criminosos.


In CARTA CAPITAL
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-assassinato-de-anisio-teixeira-2603.html
por Emiliano José — publicado 13/01/2014 10h53


Depoimento pessoal: quando eu estava na Faculdade de Educação, UFRJ, fazendo “Complementação Pedagógica”, uma de minhas professoras, Dona Elza, disse-nos que duvidava da versão de que Anísio Teixeira tivesse caído num poço de elevador, “que ele fosse homem de cair em poço de elevador”.
JORGE, o da VIRIATO, 23/07/2015

segunda-feira, 13 de julho de 2015

DOZE MANEIRAS de IDENTIFICAR UM MISÓGINO



DOZE MANEIRAS de IDENTIFICAR UM MISÓGINO  
Março 05, 2015
Por Berit Brogaard.



Os misóginos. Você já deve ter ouvido falar deles. Mas o que você pode não ter percebido é que eles podem estar bem próximos de você. Eles são bem difíceis de detectar, não vêm com uma etiqueta presa e podem até parecer pró-mulheres.

Na maioria dos casos, misóginos nem sequer sabem que odeiam mulheres. A misoginia é tipicamente um ódio inconsciente que alguns homens formam no início da vida, muitas vezes como resultado de um trauma envolvendo uma figura feminina que confiavam. Uma mãe, irmã, professora ou namorada abusiva ou negligente pode plantar uma semente e dar início à formação de uma crença.


Uma vez plantada, esta semente vai germinar e crescer, a pequena raiz vai expandir seu caminho para as áreas de processamento do medo e da memória, afetando as emoções e a tomada de decisão racional.

Os primeiros sinais de misoginia são quase imperceptíveis, mas com a constante exposição à negligência, abuso ou falta de tratamento, esta semeadura comportamental vai crescer e se tornar cada vez mais proeminente. Mas mesmo quando a misoginia atinge a maturidade, e a tendência odiar mulheres já não pode mais ser controlada, o misógino e as mulheres à sua volta, muitas vezes, não conseguem perceber a condição até que seja tarde demais.

As seguintes características são típicas do misógino:

Ele irá se concentrar em uma mulher e escolhe-la como seu alvo. Suas defesas naturais podem ser anuladas, porque, num primeiro momento, ele será gracioso, emocionante, divertido e carismático.

Conforme o tempo passa, ele começa a revelar uma personalidade oculta. Ele pode mudar rapidamente de carismático para rude, ou vice-versa.

Ele vai fazer promessas e, muitas vezes, não irá cumprir. Com os homens, por outro lado, ele quase sempre manterá sua palavra.

Ele vai se atrasar para compromissos e datas especiais com mulheres, mas será muito pontual com os homens.

Seu comportamento em relação às mulheres, em geral, é arrogante, controlador e auto-centrado.

Ele é extremamente competitivo, especialmente com as mulheres. Se uma mulher faz algo melhor do que ele, socialmente ou profissionalmente, ele se sente terrível. Se um homem faz algo melhor, ele pode ter sentimentos mistos sobre isso, mas será capaz de olhar para a situação objetivamente.

Ele não consegue tratar as mulheres de forma diferente dos homens em locais de trabalho e ambientes sociais, permitindo que os homens tomem liberdades para os quais ele não vai dar para mulheres.

Ele está preparado (inconscientemente) para usar qualquer coisa em seu poder que possa fazer as mulheres se sentirem mal. Ele pode exigir sexo ou negar sexo em seus relacionamentos, fazer piadas sobre mulheres ou colocá-las para baixo em público, roubar suas idéias em contextos profissionais sem dar-lhes o crédito, ou pedir dinheiro emprestado para elas e não pagar de volta.

Ele vai tratar as mulheres da maneira oposta de como elas gostam de ser tratadas. Se ela for uma senhora de estilo antigo, que prefere um “gentleman” que abre a porta para ela, pede para ambos e paga a refeição, ele irá tratá-la como um de seus amigos do sexo masculino: pede apenas para si mesmo e deixa para ela pagar por toda a refeição se ela se oferecer (e, por vezes, mesmo que ela não se ofereça). Se ela for um tipo mais independente, que prefere pedir sua própria refeição e pagar sua conta, ele grosseiramente vai pagar enquanto ela vai ao banheiro.


Sexualmente, ele gosta de controlar as mulheres e dá pouca ou nenhuma atenção para o seu prazer sexual. Se ocorrer preliminares, será apenas um meio necessário para atingir um fim. Ele gosta de sexo oral, mas apenas como um destinatário. Suas posições favoritas são aquelas que evitam o contato visual com a mulher.

Ele vai enganar a mulher com quem está namorando, ou em um relacionamento com ele. A monogamia é a última coisa que ele sente que deve a uma mulher.

Ele pode desaparecer de repente, partir de um relacionamento sem acabar com ele, mas pode voltar alguns meses mais tarde com uma explicação planejada para conquistar a mulher de volta

É raro que um misógino possua cada uma dessas características, o que torna mais difícil de identificá-los. A sua capacidade de atrair as mulheres com seu charme e carisma aumenta ainda mais a dificuldade de detectar os sinais de alerta precocemente.

Os odiadores (inconscientes) de mulheres conseguem disfarçar ainda melhor os seus maus tratos. Toda vez que eles falam mal das mulheres ou ferem seus sentimentos, eles inconscientemente se sentem bem, porque no fundo do seu cérebro, seu mau comportamento é recompensado com uma dose de dopamina, a substância do prazer, que os faz querer repetir o comportamento de novo e de novo .

Fonte: conferir http://www.psiconlinews.com/2015/03/12-maneiras-de-identificar-um-misogino.html