domingo, 21 de janeiro de 2018

GLOSSÁRIO de HASHTAGS


GLOSSÁRIO de HASHTAGS



#BFF
Essa sigla bastante conhecida representa as primeiras letras das palavras que formam a expressão “best friends forever”, que, em português, significa “melhores amigas para sempre”. Por isso, sempre que houver posts sobre amizade, é bastante provável que essa tag esteja presente.

#FBF
Essa tag tem uma função e um significado bastante parecidos com a de cima. As letras F, B e F fazem parte do termo Flashback Friday, que significa, em português, sexta-feira do flashback, recurso usado em filmes e séries para recordar momentos ocorridos em tempos passados. Ou seja, se for postar foto antiga na sexta, pode usar #fbf sem medo de errar.

#foodporn
Não precisa pensar besteiras: essa tag costuma ser usada quando o objetivo é destacar a foto de uma comida extremamente deliciosa. O termo food porn indica a apresentação glamurosa de alimentos, como é feito em propagandas e comerciais e acabou sendo absorvido pelos usuários nas redes sociais.

#follow4follow ou #like4like
As duas expressões têm o objetivo de angariar novos seguidores. Follow4follow e like4like são versões em “internetês” de follow for follow e like for like, que significam, respectivamente, seguir para seguir e curtir para curtir. Ou seja, é uma espécie de código entre instragrammers para trocar likes e seguirem-se mutuamente.

#instagood
Quarta hashtag mais popular no Brasil em 2017, #instagood costuma ser usado quando os usuários postam conteúdos dos quais se orgulham, como um belo pôr do sol, um lugar turístico, uma refeição apetitosa e por aí vai.

#latergram
Essa hashtag é usada para aquelas fotos publicadas posteriormente ao momento em que foram tiradas. Por exemplo, é válida quando o usuário posta a imagem de um piquenique que ocorreu de manhã no final da noite ou exibe as fotos da balada apenas na tarde do dia seguinte. Nesses casos, é #latergram neles.

#lol
Essas três letras reunidas são o equivalente ao nosso HAHAHAHA. LOL é a sigla para laugh out loud ou rir alto, em livre tradução, e pode ser aplicada para dar visibilidades às imagens que representam momentos engraçados e divertidos da vida.

#nofilter
Essa é bastante simples de entender: significa “sem filtro” e é usada, obviamente, quando a imagem é postada da forma como foi tirada, sem a adesão de qualquer efeito através de aplicações de edição de imagem.

#OOTD
Comum entre os fashionistas e o público ligado à moda, a #OOTD significa “Outfit of the day”, ou seja, “roupa do dia”. É perfeita para quem gosta de postar os looks diariamente ou quer destacar aquele visual incrível antes de um evento importante.

#pas
Uma brincadeira com a palavra paz, o termo se popularizou depois que um tweet controverso de um senhor chamado Joaquim Teixeira viralizou. Após um discurso que mistura “xis beicon” (sic) e “tiros”, ele encerra o post com #pas. Depois disso, claro, passou a ser usado de forma irônica e divertida nas redes sociais.

#picoftheday ou photooftheday
As duas hashtags acima são usadas para designar a mesma coisa: foto do dia. Apesar de ter um significado bastante amplo, costuma ser usada por aqueles que desejam ter a imagem destacada nas páginas referentes a essas tags.

#picstitch ou #vsco
As tags acima se referem, respectivamente, aos programas de edição de imagem Pic Stitch e VSCO Cam. Normalmente são utilizadas para indicar que as fotos postadas foram trabalhadas nesses apps e, de um modo geral, as páginas referentes a elas costumam reunir fotos muito bonitas e artísticas.

#repost ou #regram
Ambas as expressões são utilizadas quando o usuário publica a foto de outro instagrammer e, normalmente, atribui o crédito ao perfil que realizou o post originalmente.

#TBT
Toda quinta-feira, os usuários se deparam com fotos com a legenda #tbt. As letras t,b e t são componentes da expressão Throwback Thursday, que pode ser traduzida como quinta-feira do retorno ou do regresso. Por isso, especificamente nesse dia da semana, muitas pessoas realizam posts de fotos antigas, relembrando momentos saudosos do passado e utilizam a hashtag acima para ilustrar (e, claro, aparecer na página de hashtag correspondente).

#TGIF
Muita gente gosta de usar essa sigla, que representa a expressão “Thanks God is Friday” ou, em bom português, Graças a Deus é Sexta-feira. Essa aqui sequer precisa de explicação. É só amor pelo dia que antecede o final de semana.


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A lavajatolatria, o Carnaval e os Habeas Corpus de Gilmar Mendes


A lavajatolatria, o Carnaval e os Habeas Corpus de Gilmar Mendes
18 de janeiro de 2018



O professor Rogerio Dultra escreveu texto respondendo a uma indagação minha (ver aqui) e cunhou uma expressão interessante: o jurista lava-jato, que nasceu com as características que simbolizam esse imaginário punitivista, em que a moral substitui o Direito e em que os fins justificam os meios. Enfim, o jurista lava-jato assume um lado: o de que os argumentos morais e políticos (que, ao fim e ao cabo, são moralismos) valem mais do que a própria Constituição.

Não é por nada que parcela da comunidade jurídica apoia atos de exceção. Já existe até a “jurisprudência da crise”. Existe também a “jurisprudência de exceção”. Resumindo: é o populismo que rima com punitivismo. Dedo longo, o jurista lava-jato funciona como o novo tipo-ideal do Direito: aponta o culpado e depois sai buscando narrativas (pós-verdades) para cobrir o gap entre o fato e a versão construída finalisticamente. Em suma: forjou-se uma lavajatolatria. E isso pega. E vira violência simbólica.

Delegados já indiciam políticos por intuição (sic) (ver aqui). Juízes negam o direito ao silêncio (aqui). Membros do Ministério Público negando o direito ao silêncio (vejam o vídeo a partir do minuto 22, em que o destemido advogado Alberto Zacharias Toron enfrenta de frente mais um ato dessa imensa peça do autoritarismo brasileiro). Prende-se com base em enunciados feitos em workshop (a ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça, teve que detonar um deles, por liminar) (ver aqui). Eis o “espírito desta época”, o Zeitgeist da “wäscht schnell” (lava rápido ou “a jato”). Para quem não entendeu: a lavajatolatria se transformou em uma ideologia (ou em uma “teoria” política de poder); e, assim, quem mais sofrerá são aqueles que menos condições tem de se defender. Eis o paradoxo dessa postura.

Também dia desses ouvi um jurista com esse perfil dizer em palestra, vestido a rigor: “não há verdades; tudo é relativo; a verdade é a verdade da justiça” — e todos aplaudiram. Para começar, o autor é um mentiroso confesso, porque se não há verdades, o que ele acabou de dizer também não é verdadeiro. O que está por trás desse tipo de afirmação? Simples: é que, por não existirem verdades, tudo pode ser dito. 

Tudo é narrativa. Logo, a prova judicial será uma narrativa. Crença. Ou probabilismo. E será verdadeiro aquilo que a vontade de poder dirá. Um neohumptydumptysmo(Alice Através do Espelho), em que o intérprete dá às palavras o sentido que quer.

É o que está por trás também das narrativas que se vendem sobre a concessão de Habeas Corpus pelo Supremo Tribunal Federal. Neste momento, a bola da vez é o ministro Gilmar Mendes. Criam-se pós-verdades tipo “HC é ruim; HC é para abastados; HC é igual à impunidade”. Resultado: as narrativas se transformam em enunciados auto evidentes-indiscutíveis.

As pós-verdades, repetidas ad nauseam, viram verdades “apodíticas”. Viram até marchinhas de Carnaval, como uma que está fazendo sucesso. Nela, a pretexto de fazer blague, o pandeguismo do autor da marchinha rompe o cabo da boa fé (ou boa esperança do direito e do direito de personalidade) e faz acusação de corrupção. Alguém dirá: é engraçado. Também achei. Mas, no Brasil, o protesto vira impostura. Nada de Bakhtin; aqui é linear. O que não está dito na marchinha? Simples: um país de torcedores obnubila o cerne da discussão.

Explico: o que se esconde (e o autor da marchinha pode nem se dar conta) é o relevante fato de saber o que é um HC e se é verdadeiro dizer que os Habeas Corpus do STF (no caso da marchinha, especialmente os deferidos por Gilmar) são “tão assim para os ricos” (sic) e como se eles tivessem sido deferidos indevidamente. Repito o que venho dizendo: quem vibra com gol de mão não pode se queixar se seu time perder com gol de mão. Concedeu HC para político ou para alguém abastado? Culpado de antemão. É pena que a comunidade jurídica apenas torce... E para torcer, distorce.
Então, para mostrar alguns números e dizer para os galhofeiros de momo que HC é coisa séria e é melhor um HC concedido de forma indevida do que negar, por moral ou política, um HC devido, informo que entre 2009 e 2017 o Supremo Tribunal Federal concedeu 4.018 HCs. A 2ª turma, em que está o ministro “muso” do Carnaval, foi a que mais concedeu: 1.477.

Será que o carvalesco autor da pândega marchinha sabia que a maioria dos Habeas Corpus de mães com filhos menores de 12 anos foram concedidos pelo ministro Gilmar Mendes? Muitos de forma monocrática. Os exemplos são muitos. O que dizer do HC 141.201 (furto de uma correntinha avaliada em R$ 15)? E da tentativa de furto de uma barra de chocolate (HC 141.410)? Furto de 18 tijolos (HC 139.248), no valor de meia dúzia de mirreis? Isso daria marchinha, não? “Iscondoô lelê, furtou uns tijolinhos para construir seu puxadinho e foi emparedado...”. E do furto de roupas em varal (HC 127.266)? Céus. Como isso chegou ao STF? Isso tudo daria uma boa marchinha de Carnaval. Alô, alô, justiça, por que tem 726 mil presos no Brasil, dos quais 280 mil ainda não foram julgados?


Caros leitores: se destes “cautelares” 20% tiverem problemas de prazo, fundamentação e quejandos, estamos devendo, nada mais, nada menos, do que 56 mil HCs. Isso não dá marchinha. Dá um enredo: “A tragédia dos presídios no reino do punitivismo”. Bingo.

Já sem argumentos, alguém dirá, desviando o assunto: “mas conceder HC com base em insignificância incentiva o crime”. É? Então o puritanismo e o moralismo parecem não ter limites. Ninguém estaciona em lugar proibido, compra mercadorias no exterior e não declara na alfândega (é crime!), não declara no Imposto de Renda alguns dinheiros (baita crime) e por aí afora? Hein? Mas o furto insignificante é muito mais grave do que sonegar, certo? Sorry pelo sarcasmo.

No imaginário forjado nestes tempos difíceis, essa pergunta deixa de ser respondida, ficando escondida no meio das notas musicais e dos risos tortos dos torcedores de um pais que trocou o direito pela moral. E por aí afora. Putz: ia esquecendo do furto de sucata (HC 126.866), avaliada em incríveis R$ 4... Pois é. Isso — também — chegou ao STF. “Salve a Defensoria aí gente — chora cavaco”! “Isquindô”. E chegou no STF porque alguém negou. Muitos negaram antes. Que hit para o Carnaval, não? Furtou uma sucata e parou no xilindró...Eeeoô...

Mais um pouquinho de luz sobre o problema da liberdade (sim, senhores, HC diz respeito à... liberdade!!!!) no Brasil: vejam os casos de gestantes e lactantes presas, com HC deferido pelo “ministro muso” (HC 134.104; HC 134.069; HC 133.177; HC 131.760; HC 130.152; HC 128.381; HC 142.593; HC 142.279). Isso nem marchinha dá. Dá novela das oito, com muito choro. Imaginem a cena de uma mãe afastada do filho com grades no meio... e uma música de fundo. Quem aguentaria? Aliás, até acho que deveríamos ter fundo musical no cotidiano. Choramos em filmes e não nos importamos com as injustiças do cotidiano. Imaginem uma audiência de custódia com a sonoplastia da Globo...

Para se ter uma ideia da dramaticidade do problema do punitivismo no país, chegou a haver divergência na discussão sobre se o STF deveria ou não conceder HC em um caso de furto de chocolate avaliado em R$ 16 (bom, justiça seja feita, era chocolate ao leite). Não é fácil fazer Direito no Brasil.

Não devemos esquecer, aqui, o trabalho da Defensoria Pública. Esses habeas dos pobres são todos levado ao STF pela valente Defensoria. Nem estou falando dos HCs de outros crimes (vejam a importância dos números da Defensoria de São Paulo, citados na discussão da presunção da inocência – ADCs 43 e 44).

O que quero deixar claro é que eu poderia escrever sobre o mesmo assunto e invocar outros ministros da Suprema Corte, que votaram concedendo esses mais de 4 mil HCs nesses anos (poderia falar de votos exemplares dos ministros Marco Aurélio, Lewandowski, Toffoli, etc).

No caso, pesquisei os números e os exemplos dos HCs deferidos pelo ministro Gilmar Mendes, justamente porque é ele o g(l)osado pela já — agora famosa — marchinha momesca. Ouvi-a e fiquei intrigado. Fui atrás dos números para que eles falassem um pouco sobre essa intrincada temática. Querem fazer galhofas com a liberdade? OK. Façam com os HCs negados. Entrevistem os reclusos. Como disse, estamos devendo no mínimo 56 mil habeas corpus. Tem cada história... Com certeza, não dá nenhum iscondô.

O interessante é que, hoje, o juiz ou tribunal, para conceder HC, sente vergonha e tem medo da opinião pública (quem é ela, afinal?). Teme-se também o primeiro comentário (eles sempre sabem antes de todos) disparado pela Globo News (que só se interessa, é claro, se o réu for rico). Na escala “Richter-Raiva” de terremotos discursivos, dos jus filósofos Merval e Camarotti, uma concessão de HC alcança facilmente os 8 pontos dessa escala.

O que os críticos-torcedores esquecem é que, para um HC chegar ao STF, corre muita água. Ah, se os carnavalescos e os demais torcedores (juristas ou leigos) soubessem a tragédia que é direito criminal no Brasil... (sim, sei da violência que atinge principalmente os pobres; mas não é por causa de HCs; e não é por causa das garantias constitucionais). As causas são outras. E isso não dá marchinha.
Se os críticos-torcedores conhecessem os números sobre os HCs julgados (e sistematicamente negados) em determinados tribunais (lembram de uma desembargadora que disse nunca ter concedido liminar em HC? Disse com orgulho!)? Ah, se soubessem que o impetrante tem de ultrapassar muitos obstáculos, como a malsinada Súmula 691? E mesmo assim o STF concede milhares de HCs. Os obstáculos para o conhecimento de HC no STF são tão grandes que, por vezes, o STF não conhece... mas concede de ofício, a ponto de alguns réus torcerem pelo não conhecimento e que uma boa alma lhe conceda o remédio heroico... de ofício. Bingo.

Volto à lavajatolatria. Depois de um certo momento, espalhou-se, no país, a onda de que garantias processuais geram impunidade. Mais: Defender acusados se confunde com “bandidolatria” (sic). Sugiro o filme A Ponte dos Espiões (ver meu texto sobre o filme aqui – o fator Stoic Mujic), em que o filho pergunta ao pai que defende um acusado de ser espião comunista nos EUA na guerra fria: “— Pai, você é comunista?” E o pai responde: “— Estou apenas fazendo o meu trabalho”. Depois, o espião pergunta ao advogado: “— Você nunca me perguntou se eu era inocente”. E ele responde: “— Não me importa. Faço o meu trabalho”.

No neoimaginário que se instaurou, algumas autoridades acham que o Direito é um caminho longo demais e que as garantias só atrapalham. Pela ideologia da "lava jato", é proibido conceder HC. E todos são culpados até prova em contrário. Quer dizer, por vezes, nem isso adianta. Tempos de pós-verdades. Pós-verdade é como fake news. Ora, crime é coisa ruim. Todos somos contra a corrupção, tráfico de drogas, assaltos... Quem seria a favor, a não ser os criminosos? Só que, em qualquer democracia, crime se combate a partir da lei. Inclusive com concessão de HC.

Se as garantias são indevidas, não é o judiciário que vai dizer. E nem o MP. Aliás, nem o legislador pode reduzir as garantias constitucionais. Sabem por que? Porque a Constituição, que é um remédio contra maiorias, não permite. Ah, então a culpa é da Constituição. Maldita Constituição. Rasguemo-la. Pois é. Quem odeia a Constituição Federal facilmente se submete ao látego da ditadura. Bom, deve ter gente com saudade. Espero que isso não dê marchinha.
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Post scriptum: desculpem, está um pouco longa a coluna. Assumo o risco de fracassar, porque textos longos não são lidos em tempos de pós-modernidade e pós-verdades. Só quero dizer, ainda, que, em 1964, a tentação do arbítrio venceu o Direito. Na época, até a OAB não resistiu. Deu no que deu. Fazer atalhos encurta o caminho, mas pode dar no abismo. Por que é tão difícil aprender com a história?
Lenio Luiz Streck é jurista, professor de Direito Constitucional e pós-doutor em Direito. Sócio do escritório Streck e Trindade Advogados Associados: www.streckadvogados.com.br.


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

SERÁ QUE VAI DAR PRAIA?



O recém-nomeado PROFESSOR MÁRCIO DA COSTA para dirigir A ESCOLA PAULO FREIRE ( (DO, 18/01/2018) esteve envolvido numa polêmica com a UFRJ .



Ele escreveu um artigo em O GLOBO (25/09/2016) criticando as greves em universidades públicas.
A reação da Faculdade de Educação foi imediata e dura, referindo-se ao conteúdo do artigo como "crítica-destrutiva".

Bem, é claro que tenho opinião formada sobre a polêmica, e vou dizê-la sem rebuços.
 O professor MÁRCIO bateu duro num nervo sensível que muita gente se recusa a admitir: a facilidade de se fazer uma greve numa unidade pública é grande, sem que haja uma punição, como, por exemplo, desconto do salário. O direito de greve é sagrado e histórico, mas facilidades como existem no Brasil são inigualáveis. Em nosso país se gestores públicos partirem para o confronto e suspenderem o ponto, é "batata" que uma liminar deferida pelo Poder Judiciário virá em socorro dos grevistas__ e continuarão normalmente recebendo seus salários na íntegra. Quisera eu estar sendo injusto e mentiroso... Como servidor público que sou, óbvio que acho "legal": posso não ir à praia mas posso ver bons filmes nos canais a cabo...

O reparo feito pela UFRJ pode ser verdadeiro (e até poderíamos concluir que o professor márcio exagerou), mas muito me chamou atenção o termo "crítica-destrutiva" e as justificativas de que as palavras do professor se inseririam no contexto de "liberalismo", "conservadorismo", "autoritarismo" etc.
O termo "crítica-destrutiva" revela, no mínimo, um vezo autoritário ou, traduzindo em palavras chulas "que p****** é essa de nos criticar?" até onde sei, nas democracias as críticas podem ser "extra muros" ou "intra muros"...
Moral da história: a UFRJ ficou furiosa com a crítica de um dos seus, mas não rebateu ou quis rebater o cerne da questão levantada pelo professor. ou seja, greves acabam em praia, e fingimos que não vemos...
Pergunta chata (e também levantada pelo professor): quem paga tudo isso?

JORGE LUIZ da SILVA SANTOS (JORGE O DA VIRIATO)
18/01/2018
Professor Aposentado 


Abaixo as íntegras do artigo e da nota da Universidade.
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Será que vai dar praia?
Greves intermináveis com risco zero. Salário na conta e dois a três meses de trabalho a menos quase todos os anos recentes
 
POR MARCIO DA COSTA 25/09/2016 , JORNAL O GLOBO


Quinta, dia 22, algumas unidades da UFRJ suspenderam suas atividades em função de uma anunciada paralisação, convocada por entidades de funcionários. Na véspera, à tarde, instâncias oficiais já se adiantavam e oficializavam a suspensão do expediente. Não é inédito. Tornou-se natural com o passar dos anos. O que se segue é parte do que escrevi para meus pares.

É razoável que a instituição adote uma posição que, na prática, impõe uma greve a todos? Tem sido assim na UFRJ. Sindicatos adotam em seus fóruns uma paralisação. Quase instantaneamente, a burocracia responsável pela gestão da universidade incorpora tal decisão e antecipa seus efeitos decretando que os portões sejam cerrados. O Conselho Universitário já fez algo semelhante, suspendendo o calendário letivo. Assim, uma decisão de greve é convertida em estranho locaute, com a ação de autoridades que deveriam zelar pelo funcionamento institucional.

No caso da interrupção do calendário institucional, por mais de uma vez isso ocorreu em favor de movimentos que nem mesmo contavam com adesão expressiva, mas que foram tornados artificialmente “universais” por esse artifício de gestão. Na última greve isso assumiu um caráter mais severo, dado que, em unidades onde não havia adesão ao movimento, a manutenção do calendário foi proibida pelas autoridades universitárias.

A coisa funciona assim: uma assembleia de meia dúzia decide greve ou paralisação, a estrutura decisória transforma essa decisão quase clandestina em decreto institucional. Com isso, está assegurado o sucesso do movimento, “adesão” de 100%. Discursos revolucionários saúdam a coesão de classe, e a população paga pelas bravatas.

Frequentemente, quase ninguém sabe ao menos quais são as reivindicações do “movimento”. Eventualmente, em caso de grande adesão, o funcionamento poderia estar severamente comprometido, de tal forma que seria impossível ou pouco sensato manter as portas abertas. No entanto, nem se cogita testar.

Tal ocorre em meio à anomia que torna a lei, a separação público/privado, a preocupação com a coisa pública meras peças de retórica nesse universo paralelo em que vivemos nas universidades públicas. A predação do funcionamento institucional deriva de se haver aprendido na universidade que não há risco. Nenhum dos protagonistas paga o preço.

Como de hábito, a paralisação foi numa quinta-feira, convertendo-se em feriadão. O distinto público paga nosso salário, e vida segue, como se nada houvesse acontecido. A Viúva banca, e ninguém é chamado a prestar contas desses, digamos, feriados informais. Greves intermináveis ocorrem da mesma forma: risco zero. Salário na conta e dois a três meses de trabalho a menos quase todos os anos recentes.

Será esse um dos motivos porque parece crescer na população o sentimento de inveja/ódio pelo funcionalismo público? Aquele bando de gente que ganha mais, trabalha menos, não precisa prestar contas de nada e ainda vai lá quando quer? Quanto tempo durará essa festa? Alguém será responsabilizado?

Quinta feira deu praia.

Marcio da Costa é professor da Faculdade de Educação da UFRJ

Leia mais: https://oglobo.globo.com/opiniao/sera-que-vai-dar-praia-20171250#ixzz54WrRVXQm
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A Direção da Faculdade de Educação divulgou nota posicionando-se a respeito do artigo do professor Márcio da Costa, publicado no jornal O Globo no dia 25/9.

Leia a nota na íntegra:



Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2016.

Posicionamento da Direção da Faculdade de Educação da UFRJ sobre artigo publicado no jornal O Globo em 25/9/2016, intitulado “Será que vai dar praia?”, do professor Márcio da Costa.

A Direção da Faculdade de Educação da UFRJ vem a público se manifestar a propósito do artigo “Será que vai dar praia?” do colega professor Marcio da Costa, publicado no jornal O Globo em 25/9/2016. Tais ideias parecem ter sido motivadas pela suspensão das atividades acadêmicas da Faculdade de Educação que têm lugar no campus da Praia Vermelha (e exclusivamente dessas) no dia 22 de setembro, decisão sobre a qual são necessários alguns esclarecimentos.

Como expressou em esfera externa à UFRJ opiniões crítico-destrutivas ao setor público, e agrediu toda uma comunidade de servidores públicos atribuindo-lhes a característica de trabalhadores negligentes, achamos por bem não nos calarmos, manifestando o nosso posicionamento como Direção da FE/UFRJ, como colegas e cidadãos que têm lutado com muito trabalho e dedicação por uma educação pública universal e de qualidade para todos.

A motivação desta resposta deriva principalmente dos seguintes aspectos:

o conteúdo deste artigo circulou no grupo de emails de professores e técnicos-administrativos da FE/UFRJ no dia 21/9. Entretanto, ao publicar o artigo em jornal de grande circulação, a imprecação do colega extrapolou os muros da universidade e não se trata mais apenas de "lavar nossa roupa suja em casa”;
a manifestação do professor não é um ato isolado e se faz em tempos sombrios, numa conjuntura de recrudescimento do conservadorismo, do ultraliberalismo, de emergência de discursos autoritários, de enfraquecimento da instituição democrática, de retrocesso das conquistas educacionais e de desmantelamento do setor público;
o que foi dito e escrito não representa nem de longe a complexidade das relações sociais do cotidiano acadêmico da FE e da UFRJ;
a nossa indignação se amplia pela responsabilidade da direção que envolve toda uma equipe comprometida com a gestão pública em meio às dificuldades e ameaças atuais;
o entendimento de que greve é um instrumento de luta suficientemente sério para ser tratado dessa forma. Desqualificar esse direito ou abusar de seu exercício são duas faces de uma mesma moeda: o descompromisso com o público e a negação de direitos sociais dos trabalhadores historicamente conquistados.


Vamos, pois, aos esclarecimentos.

No dia 21/9/2016, a Direção da FE/UFRJ foi comunicada sobre a adesão da maioria dos servidores da FE/UFRJ à paralisação nacional, aprovada pelo SINTUFRJ. A partir desta informação, procuramos nos preparar para o dia 22/9 junto aos diferentes setores dos quais dependemos, para o funcionamento com segurança. Tais procedimentos se fazem indispensáveis e requerem diferentes níveis de negociação dada a situação atual singular na qual se encontra a FE/UFRJ, devido aos espaços diversos e dispersos que ocupa, cujo acesso não depende diretamente de seu corpo administrativo.

Diante destas circunstâncias, a Direção da FE/UFRJ avaliou que seria melhor suspender as sua atividades administrativas e acadêmicas na Praia Vermelha no dia 22/9, comunicando tal decisão ao seu corpo acadêmico no dia anterior. Levamos ainda em conta as distâncias significativas que representam os deslocamentos de nossos estudantes e o risco de que eles os fizessem em vão.

Destacamos que essa foi uma medida pontual desta gestão, resultante de uma análise que considerou diferentes variáveis e que de forma alguma pode ou deve ser generalizada para toda a UFRJ.

Aliás, nesse mesmo dia, a UFRJ recebeu mais de três mil estudantes de ensino médio para conhecer a instituição e o CONSUNI se reuniu regularmente, discutindo um tema central para o futuro da universidade – a Assistência Estudantil. Vale sublinhar que as atividades da FE/UFRJ desenvolvidas em outros campi ocorreram normalmente. Do mesmo modo, iniciou-se ainda nesse mesmo dia, no IFCS, a 5ª Edição do ENSOC – Encontro Estadual de Ensino de Sociologia –, coordenado por professores da FE e com a participação da Direção dessa unidade na mesa da abertura.

Essas diversas atividades, entre tantas outras, demonstram o dinamismo cotidiano da UFRJ, reconhecida em recente avaliação nacional como a melhor universidade brasileira, com especial destaque para seus cursos de Pedagogia e Licenciaturas.

Esclarecemos também que sexta-feira, 23 de setembro, foi dia de expediente normal.



Carmen Teresa Gabriel

Rosana Heringer

Direção FE/UFRJ

https://ufrj.br/noticia/2016/09/28/nota-publica-da-faculdade-de-educacao

Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2016.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

HOMENS PODEM ENGRAVIDAR



HOMENS PODEM ENGRAVIDAR.

Mantida em sigilo durante uma década, a Universidade de Cambridge anunciou a possibilidade de os homens engravidarem. Segundo o Doutor Winston Jarmust, ainda faltam alguns dados, mas a convicção de que os homens podem gerar filhos tais quais as mulheres é irretorquível.

O sigilo foi mantido por questões éticas. Muitos cientistas britânicos consideravam um mal provocar tamanha revolução na natureza humana. Grupos religiosos influentes, sobretudo a Igreja Anglicana, não foram receptivos inicialmente, mas , com o avanço e solidez das pesquisas, reconsideraram e deram sua bênção.

Segundo o Doutor Winston Jarmust, o grande nó da questão foi superado: a criação de um útero masculino. Não entrando em detalhes técnicos, o cientista afirmou que seria a colocação de uma bolsa na cavidade abdominal; o restante seria suprido com doses de hormônios e alguns fármacos necessários. Só não foi possível exibir o primeiro homem grávido, porque o voluntário fugiu com uma enfermeira , depois de engravidar outra.

Ganhou impulso a pesquisa porque a Rainha Elizabeth deu todo apoio. Segundo fontes do Palácio de Buckingham, a soberana sentiu-se confortada pela possibilidade de um homem da realeza gerar um filho sem os problemas e escândalos e mexericos advindos de uma futura noiva escolhida. Segundo a mesma fonte, se a descoberta tivesse ocorrido há 3 décadas, o Príncipe Charles não teria passado pelos dissabores com a Lady Di.

Grande repercussão teve a descoberta nos meios feministas. As mais radicais criaram o slogan "They will see now" (Agora eles vão ver), alegando que finalmente os homens iriam passar por tudo que atormenta as mulheres durante a gravidez. Mais ainda: para as radicais, seria a oportunidade de os homens perceberem o quanto o mercado de trabalho é hostil para com as grávidas. As feministas moderadas também ficaram contentes: os homens grávidos seriam mais colaborativos com as esposas e mulheres em geral.

Entre os homens, ao que parece, a novidade foi bem recebida. A gravidez masculina seria uma forma de se evitarem as agressões insultuosas das feministas, além de expor a fragilidade dos machos colocando-os em pé de igualdade com as mulheres: não seriam elas apenas o sexo frágil.

Artistas e escritores viram a possibilidade de militarem segundo os cânones do politicamente correto. Atores jovens fizeram questão de se dizerem mães. "Sinto as dores de dar à luz um novo ser", disse o jovem ator inglês Christopher Hammer. "Seria uma bênção colocar no mundo um salvador por mim mesmo e não através das dores de uma jovem mulher", acrescentava o seminarista John Street, católico piedoso e Mariano por convicção. "Solidarizo-me com as mulheres neste momento sublime da última flor do Lácio", disse Antonio Diniz, jovem poeta português bissexto que confundia Olavo Bilac com Fernando Pessoa. "Cem anos de solidão separam a mãe e o pai", disse o escritor latino Gabriel Velasquez, após beber rum misturado com limão. Este latino acabou preso arruaça e bebedeira. "Finalmente, obterei um lugar sentado no metrô cheio", afirmava o poeta neozelandês bissexto que nunca conheceu o metrô do Rio de Janeiro.

A possibilidade de um homem parir um bebê também encontrou resistência das feminazis, digo, das militantes mais ativas do feminismo. "Como se não bastasse o machismo, os homens se apropriam da maternidade nos relegando a segundo plano", afirmava Jandira Tigre, jogadora de futebol. "Homens grávidos terão preferência nas filas, transformando em pó nossa luta pela igualdade", protestava Ana da Silva, deputada de um partido que se dissolveu por falta de eleitores. Não obstante esta oposição, a gravidez masculina foi bem recebida __ de modo geral, as feministas viram a igualdade de gêneros na sua plenitude histórica.

"Sou mulher, me sinto mulher e não sou gay", proclamava uma jovem dragqueen numa passeata LGBT,  tendo sido muito aplaudida. "Agora, poderemos entrar nos fraldários dos shoppings sem constrangimento"; "já posso entrar no banheiro feminino com mamãe, mesmo sendo adolescente, pois a gravidez me empodera enquanto igual às mulheres", relatou Renato, dirigente do Grêmio Estudantil do Colégio Pedro II. "Os dias de machismo acabaram." "Podemos voltar a dizer 'homicídio', pois podendo gerar um filho no ventre, o feminicídio deixa de ser uma exclusividade cruel das mulheres, porque  agora não há mais 'periculum in mora', conforme asseverou um estudante de Direito que matava aulas sistematicamente,mas era muito inteligente.

Integrantes do Movimento Fora Temer fizeram um vídeo sob o tema "Não quero ser mulher, EU SOU MULHER!", com mais de 1 milhão de visualizações em um único dia. No quadro final do vídeo, todos os homens disseram em uníssono: "Como mulheres iremos para Vênus!"

A euforia deu lugar, no entanto, a uma forte preocupação. Os médicos ainda pesquisavam sobre o caso de parto cesariana. Segundo eles, a única possibilidade de realizar um parto cesariana num homem seria cortando o pênis e os testículos. Não tinha jeito, não havia outra solução...

Durante meses poetas, escritores, artistas e intelectuais postaram na internet manifestos jurando que jamais lhes passara pela cabeça serem como mulheres. Unanimemente defenderam a sua condição de machos, desculpando-se de querem se apropriar do espaço físico que a natureza reservou à mulher. "A mutilação da genitália", disseram num abaixo-assinado, "é uma medida machista e merece o repúdio de homens e mulheres__ além de ser uma grande perda."

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

À MODA SUECA ou Nova forma de relacionamento sexual


À MODA SUECA ou Nova forma de relacionamento sexual


À MODA SUECA...

As crescentes denúncias de assédio e abuso das mulheres levaram os países a criar uma legislação dura sobre o assunto. No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, acabou de ser sancionada uma lei PROIBINDO propagandas sugestivas de que mulher é um "objeto sexual". Assim sendo, propagandas veiculadas com mulheres de biquini ou quaisquer vestimentas sumárias que lhe expunham o corpo à baba, digo, ao olhar machista dos homens (?) serão rigorosamente punidas com multas até milionárias.

Nos Estados Unidos, as denúncias contra o Big Boss de Hollywood, Harvey Weinstein, desencadeou um grande número de abusos outrora cometidos. Inclusive, houve o caso de uma atriz que denunciou um colega por tê-la importunado mostrando seu pirulito, quando ela ainda tinha 6 anos. Embora, à época, o garoto fosse um guri de 5 anos, isto lhe custou o emprego de protagonista numa história de amor, ainda a ser filmada...

Na França, terra da Egalité, Fraternité e Liberté, esta última também corre risco, digo, as feministas também saíram em defesa do "sexo frágil", mas sempre se posicionando a favor da força da mulher em nossos dias, apesar de sempre afirmarem que as mulheres merecem proteção contra os avanços dos homens. 

Não obstante em França tivesse vindo a público um MANIFESTO  encabeçado por Catherine Deneuve, no qual se condena fortemente o estupro e abusos outros, e, em oposição a isso,  se fizesse uma distinção entre um galanteio incompetente e uma violência sexual, as feministas da terra de Simone de Beauvoir mantiveram irredentas seu posicionamento fascistoide, digo, seu posicionamento  irretorquível de que a mulher é "frágil" apesar de forte, e que um simples galanteio (ainda que incompetente) abre o caminho para que as mulheres sejam abusadas pelos machos.

Na Suécia, país desenvolvido e sempre na vanguarda sexual, lei recentemente aprovada pelo Parlamento só permite sexo entre homem e mulher, se, ANTES, ambos assinarem um documento em que concordam se engajar numa relação íntima. Neste documento, todos os atos pertinentes no momento de alcova deverão ser devidamente discriminados.

No Brasil, nossos legisladores houveram por bem seguir o modelo sueco, e isto com forte apoio das mulheres engajadas na luta pela emancipação da mulher. Sendo assim, não veremos mais a vergonha das denúncias de abusos contra as mulheres estampadas na televisão, revistas e redes sociais.

E aí... haverá um ganho substancial. 

Não veremos mais aquelas cenas, comuns em boates, de um sujeito, já cheio de birita, segurar no braço de uma mulher e arrastá-la para um canto, ainda que ela aquiesça por estar meio bêbada. 
ISTO TERÁ FIM.
Doravante, teremos uma história diferente...

João e Maria se encontram numa boate, dançam, se divertem, riem e, finalmente, percebem que algo mais tem que rolar além daquele encontro cheio de conversas e danças. É aí que entra a Suécia. 

Primeiramente, ambos pedem ao maitre ou garçom caneta e papel, ou até mesmo permissão para usar o computador. Escrevem ou digitam um contrato sexual. Ali discriminam-se as práticas a serem adotadas: "69", "88", anal só com a glande, se serão permitidos tapinhas no bumbum, boquete rápido ou demorado, peitinho, cunilínguo, siririca, etc. Firmado isso, pagam a conta e vão para um motel __ sem pulgas e com direito a bombom de graça na saída (pois isso também estará no contrato). A caminho do ninho de amor, o contrato estabelece se poderá haver ou não saliências de um com outro dentro do táxi __ também estabelecido em contrato para se evitarem acidentes no caminho ou blitzes da Lei Seca. 

Uma vez no motel, ambos se despirão um na frente do outro, porque também está no contrato. (Aqui se entenda que há homens e mulheres que, por formação, têm vergonha de se despirem na frente dos outros; daí a necessidade de explicitar no contrato.)

Despidos, se deitam. O homem toma a iniciativa __ o que também deve constar prudentemente no contrato, a fim de se evitar uma futura acusação de tentativa de agressão sexual. Se a mulher tomar a iniciativa, idem, para que um homem tímido não fique constrangido e depois alegue que foi para a cama com uma vagabunda e devassa __ porque não fica quietinha aceitando as carícias do macho.

Então, começa tudo... Mas... estamos no Brasil... Um deles diz:

- Para! Para! Para! Não! Não! Não!

O outro fica espantado: __ Por quê? Está tudo no contrato... O que houve? 

O primeiro responde: 

_ Será que não precisa reconhecer firma? 

E aí tudo termina, pois já é madrugada de sábado;  cartório aberto só na segunda...

RESTAURANTE COMUNISTA no LEBLON


RESTAURANTE COMUNISTA no LEBLON (!)


Sim, sim, sim, os comunistas se renderam ao canto de sereia do Capitalismo e inauguraram um restaurante no Leblon!


Ele é discreto, no entanto. Depois de tantos anos de perseguição, acharam mais conveniente mantê-lo em relativo segredo. Eu, um coxinha desalmado, branco, capitalista, explorador, neoliberal e (dizem...) até homofóbico e preconceituoso, é que decidir romper a barreira da penumbra e vir a público para mostrar aquele centro vermelho de acepipes.


Ele está situado nas proximidades da Praça Antero de Quental, e qualquer dono de restaurante do Leblon sabe onde é.


A referida casa de pasto chama-se HO-CHI-MIN, mas é também conhecido como a "Casa do Rato".


O principal acepipe é um bolinho à milanesa feito com carne de rato. Calma! Nada de espanto. Isto é puro preconceito dos comensais burgueses. Da mesma forma que o porco é sujo mas nos brinda com uma carne deliciosa e apreciada, o rato e sujo, anda nos esgotos, mas tem um carne saborosa __ que nem carne de frango. (Algumas pessoas até acham que é carne de frango e até sugeriram que fosse incluída no cardápio "COXINHA de Rato", para atrair mais clientes burgueses.)


O restaurante é dividido em vários ambientes, e dois se destacam: Sala Stálin e Sala Giap.


Na Sala Stálin é especializada no serviço de carne mal passada, sanguinolenta. E a vodca é de graça, para que as pessoas apreciem a comida com mais alegria.


Já na Sala Giap, a peça de resistência conjuga workshop de estratégias e um delicioso hambúrguer americano. A vodca também é de graça, mas serve-se uísque também.


Outro acepipe muito interessante é gafanhoto frito com macarrão, uma velha sugestão de um comunista italiano que fez guerrilha com os Vietcongues.


No restaurante, ainda, serve-se RUM, mas em hipótese alguma misturam com COCA-COLA. Dizem que é para não ofender o falecido Fidel Castro.

O restaurante funciona das 9h às 18h, com uma hora de descanso para os cozinheiros e garçons __ uma forma de amenizar a mais-valia e manter-se fiel aos princípios comunistas.


Nota: ultimamente, a clientela anda escassa, porquanto a casa andou frequentada pelos eleitores de Bolsonaro, de Marco Feliciano (o pessoal vinha em caravanas de São Paulo) e membros do PCdoB __ e muitos viram nestes frequentadores um "desvio burguês" dos altos padrões vermelhos da casa.


Nota 2: a Sala Giap é recomendada para diretores de escolas municipais, a fim de que estejam atualizados em "estratégias".


VALE A PENA!


Jorge Santos
13/01/2018
Professor (e coxinha) aposentado.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Origens da ÁRVORE DE NATAL




A ÁRVORE DE NATAL
Dom Marcos Barbosa

Programa "Encontro Marcado" levado ao ar pela Rádio Jornal do Brasil em 15/12/86


Muitas pessoas fazem (sobretudo aos padres) a pergunta de como nasceu a árvore de Natal. E muitos não saberão responder com exatidão, pensando ter acontecido com a árvore o mesmo que se passou com o ovo da Páscoa.

Símbolo de fertilidade e de vida nova entre os pagãos, o ovo foi tomado como símbolo da vida nova trazida pelo Cristo ressuscitado, que sai do túmulo como o pintainho , na alegria da Páscoa. É o caso de um folclore pagão batizado pelos cristãos que lhe deram novo conteúdo.
 Ora, não foi o que aconteceu com a árvore de Natal que já nasceu cristã, como Nossa Senhora, que não precisou de batismo... Pois a árvore de NATAL nasceu da fusão de dois ritos  populares surgidos no seio das famílias cristãs.


 O primeiro desses ritos é a árvore de Adão e Eva; o segundo, a pirâmide de Natal.


 Adão e Eva são comemorados como santos no calendário das Igrejas orientais, e a sua devoção espalhou-se também pelo Ocidente, sobretudo na altura do ano mil que está longe de ser um ano de pavor como pretendem versões posteriores... A Igreja latina, embora não tenha oficializado esse culto aos primeiros pais, permitiu, no entanto, que o mesmo se expandisse entre o povo. O que se fez rapidamente, pois eram muito comuns na Idade Média os nomes de Adão e Eva.

Assim os homônimos de ambos passaram a consagrar-lhes a vigília do Natal, que sugeria justamente o fim de uma era (o Pecado ) e o começo de outra (a Redenção). Entre as homenagens prestadas aos primeiros pais surgiu, no século XVI, o costume de erguer-se dentro de casa, uma árvore do Paraíso. Como isto tudo se passava na Alemanha, o jeito foi pendurar num pinheiro, única árvore que resiste ao inverno, as maçãs que guardavam para isso.

Ora, ao lado desse costume, ligado portanto a Adão e Eva e a vigília do Natal, havia outro, ligado ao Cristo e a própria festa do Natal. Consistia esse costume em acender-se velas (hoje iluminamos as ruas) para mostrar que chegara o Cristo, luz do mundo. Essas velas eram frequentemente suspensas num tronco de modo a formarem uma pirâmide de pontos luminosos , a cuja base se colocara o presépio (já introduzido por São Francisco de Assis ) e em cuja ponta se alçava uma estrela.

Assim, era quase impossível que os dois símbolos não se fundissem num só, sendo o símbolo de pecado absorvido pelo da graça, e o do velho Adão absorvido pelo de Jesus. A árvore do pecado se tornava a árvore da Vida, que também existia no Paraíso, e da qual o homem não pode comer após ter colhido o fruto da árvore do Bem e do Mal. As maçãs se transformaram em bolas para mostrar as crianças (e não só às crianças) a alegria e a doçura que o Salvador trouxe aos homens...

Tendo visto como nasceu, vejamos como cresceu a árvore de Natal, a ponto de atravessar os mares e chegar até nossos dias.

 No século XVIII ela se propagara como um bosque , por todo o sul da Alemanha, alastrando-se depois por todo o país no século XIX, logo adotada pelos povos eslavos. Sabe-se exatamente quando brilhou na França a primeira árvore de Natal: a Princesa Helena de Mecklembourg, tendo se casado como Duque de Orleans , leva para a França aquela árvore, como a Rainha, sua homônima, Santa Helena, trouxera de Jerusalém o madeiro da Cruz...


 A árvore de Natal deve merecer dos fiéis todo o carinho.


 Ela é o próprio Cristo, com sua luz, seus frutos, sua alegria, suplantando o pecado e a treva.

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Texto de D. Marcos Barbosa

Programa "Encontro Marcado" levado ao ar pela Rádio Jornal do Brasil em 15/12/86

O costume da Árvore de Natal é atribuído a Marinho Lutero, líder protestante que iniciou a rebelião contra a Igreja Católica Apostólica Romana.
 

D. Marcos Barbosa não o menciona por motivos óbvios...

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O programa "Encontro Marcado" era transmitido diariamente às 6h da manhã pela Rádio Jornal do Brasil. O apresentador , Dom Marcos Barbosa, era um monge beneditino, poeta e escritor. Foi membro da Academia Brasileira de Letras. Nascido em 12/09/1915, em Minas Gerais, veio a falecer em 05/03/1997, no Rio de Janeiro