terça-feira, 15 de setembro de 2015

O Ajuste no governo do Aécio/PSDB

 O Ajuste no governo do Aécio/PSDB


(Nota: o título acima é do autor deste blog. Armínio Fraga seria o ministro da Fazenda, caso Aécio Neves vencesse as eleições em 2014)

____________________________________________________

Respostas à altura da crise 

Por Armínio Fraga, 

Ex-presidente do BC, analisa as medidas a serem tomadas após rebaixamento do grau de investimento do país






Com frequência se diz por aí que nunca se viu situação econômica tão ruim quanto a atual. Discordo. Entre 1982 e 1993, a “década perdida” do caos da hiperinflação e da moratória externa, o Brasil amargou queda na renda por pessoa de cerca de 1% ao ano!

Mas o Brasil vive hoje sim uma crise grave, que escancara as consequências do modelo político e econômico atual. Este se caracteriza pela captura, agigantamento, incompetência e falência do Estado. Captura por interesses partidários e privados, que sem qualquer escrúpulo montaram não um, mas dois enormes esquemas de corrupção voltados para sua preservação no poder e enriquecimento pessoal. Agigantamento, pois o gasto público se aproxima de 40% do PIB, número elevado, especialmente para um país de renda média.

Incompetência por não entregar os serviços de qualidade que a sociedade demanda, apesar dos recursos despendidos. Falência pela perda da disciplina fiscal, fator que pesou na recente perda do grau de investimento, com destaque para a admissão pelo próprio governo de sua incapacidade de manter um superávit primário capaz de evitar a explosão da dívida pública. Estamos em maus lençóis, pois não há na História caso de país que tenha se desenvolvido plenamente sem um Estado decente, eficaz e solvente.

Outras características do atual modelo econômico incluem um elevado grau de dirigismo, um claro desprezo pela eficiência em geral, e pelo mercado em particular, um relativo isolamento do mundo, uma má alocação do capital (em boa parte feita pelos bancos públicos), políticas setoriais mal desenhadas, um sistema tributário complexo, que distorce e encarece a atividade empresarial, e um aparato regulatório desprestigiado e, em alguns casos, mal tripulado. Não surpreendentemente, a produtividade da economia vem sofrendo bastante.

As consequências disso tudo, em boa parte previsíveis, estão aí, visíveis a olho nu: juros estratosféricos, incerteza elevada, baixo investimento (especialmente em infraestrutura), profunda recessão e, o que é pior, uma economia incapaz de crescer. Os impactos sociais já se fazem sentir e tendem a se agravar. A esta altura, não se pode descartar a hipótese de que o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff seja o início de uma nova década perdida.

Esta crise requer um tratamento proporcional ao seu tamanho. Isso não tem sido possível em função de barreiras ideológicas e de incompetência, além das naturais dificuldades de um governo corrigir algo feito por si mesmo, e da crise política que deve perdurar.

Não surpreende, portanto, que a atual resposta à crise não venha obtendo bons resultados, limitando-se, na prática, a alguma austeridade fiscal, ao aperto monetário (posto que a inflação está há tempos bem acima da meta), à liberação de preços e ao anúncio de algumas boas reformas, no geral não implantadas. Ao mesmo tempo, medidas irresponsáveis do ponto de vista fiscal vêm sendo aprovadas, como o Plano Nacional de Educação (tema crucial, solução inadequada) e a revogação do fator previdenciário. Ademais, a queda nos preços das exportações e as paralisantes implicações de curto prazo da mais do que bem-vinda Lava-Jato agravam ainda mais o quadro.

Com o intuito de ajudar a mapear os desafios no campo econômico, e sem ilusões quanto à superior importância da política em fazer as opções certas e conduzir o processo, listo abaixo dois conjuntos de respostas à crise. Se posto em prática, o primeiro sinalizaria o entendimento do Executivo e do Legislativo quanto à gravidade da situação. O segundo lista algumas questões mais fundamentais para que o Brasil volte a crescer e se desenvolver. As dificuldades de se efetuar um ajuste fiscal rápido são bem conhecidas: recessão, rigidez do gasto e a já elevada carga tributária. Acredito que uma forma de se ganhar tempo e afetar positivamente as expectativas seria compensar um inevitável gradualismo no ajuste com medidas que afetem positivamente a solvência do país a longo prazo. Outro campo fértil é o lado da produtividade, de natureza mais microeconômica, que merece bem mais espaço do que o que tenho aqui hoje.

___________________________________________________________

Medidas emergenciais:


- Metas de saldo primário de 1%, 2% e 3% do PIB para os próximos três anos, baseadas em premissas realistas e receitas recorrentes (as metas atuais não estão sendo cumpridas e, de qualquer forma, são insuficientes).

- Aprovação da idade mínima de 65 anos para a aposentadoria de homens e mulheres (para gerações futuras) e reaprovação do fator previdenciário.

- Desvinculação do piso da Previdência do salário mínimo (essa vinculação é cara e regressiva).

- Introdução de um limite para a dívida bruta do governo federal como proporção do PIB.

- Reforma do PIS/Cofins e ICMS já proposta, acrescida da unificação e simplificação das regras do ICMS (por muitas razões, inclusive a integração interna do país).

- Mudança das regras trabalhistas também na mesa (onde o negociado se sobrepõe à lei).

- Aumento da integração do Brasil ao mundo (um primeiro passo seria transformar o Mercosul em zona de livre comércio).

Sem algo nesta linha, a crise deve se aprofundar e alongar.

Medidas mais fundamentais relativas ao Estado:


- Discussão sobre o tamanho e as prioridades do Estado (requer limite ao crescimento do gasto, o que, por sua vez, demanda as reformas abaixo).

- Fim de todas as vinculações e adoção de um orçamento base zero (sem prejuízo de espaços plurianuais, nunca permanentes).

- Meritocracia e a boa gestão no setor público.

- Revisão da cobertura da estabilidade do emprego no setor público.

- Revisão do capítulo econômico da Constituição (adotar a economia de mercado. Qualquer interferência do Estado deverá ser justificada e seus resultados, posteriormente avaliados).

Sem algo nesta linha, o Brasil dificilmente se desenvolverá de maneira plena.


Fonte:  
http://oglobo.globo.com/economia/respostas-altura-da-crise-2-17476976#ixzz3loDOvlpb ,publicado em 13/09/2015 no JORNAL O GLOBO

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Alzheimer pode ser infectocontagiosa, diz estudo



Alzheimer pode ser infectocontagiosa, diz estudo

(Tradução do GOOGLE)


As "sementes" da doença de Alzheimer pode ser transmitido a partir de uma pessoa para outra durante determinados procedimentos médicos, os cientistas descobriram.

Um estudo sobre pessoas que morreram de uma espécie separada de doença cerebral depois de receber injeções de hormônio do crescimento humano sugere que a doença de Alzheimer também pode ser uma doença transmissível.

Os resultados têm levantado dúvidas sobre a segurança de alguns procedimentos médicos, possivelmente incluindo transfusões de sangue e tratamento odontológico invasivo, que pode envolver a transferência de tecidos contaminados ou de equipamentos cirúrgicos.

A investigação demonstrou pela primeira vez em seres humanos que a doença de Alzheimer pode ser uma infecção transmissível que poderia ser inadvertidamente passou entre pessoas.

Os cientistas enfatizaram que a nova evidência ainda é preliminar e não deve impedir ninguém de ter a cirurgia. Eles também enfatizaram que não é possível "apanhar" a doença de Alzheimer, vivendo com alguém com a doença.

No entanto, os resultados de um estudo em oito pessoas que receberam injeções de hormônio do crescimento, quando foram crianças levantaram a possibilidade inquietante de que a doença de Alzheimer pode ser transmitida sob certas circunstâncias, quando os tecidos infectados ou instrumentos cirúrgicos são passados ​​entre os indivíduos.

Os cientistas enfatizaram que a nova evidência é ainda preliminares (AFP) Os cientistas enfatizaram que a nova evidência é ainda preliminar (AFP)
Até agora, pensava-se que a doença de Alzheimer ocorreu apenas como resultado de herdar certas mutações genéticas que causam a versão familiar da doença, ou de eventos "esporádicos" aleatórios dentro do cérebro de idosos, disse o professor John Collinge, chefe de doenças neurodegenerativas em University College London.

"O que precisamos considerar é que, além de não ser doença de Alzheimer esporádica e hereditária ou doença de Alzheimer familiar, poderia também ser adquirido formas de doença de Alzheimer", disse o professor Collinge.

"Você poderia ter três maneiras diferentes que você tem essas sementes de proteínas geradas em seu cérebro. Ou eles acontecem espontaneamente, um evento azarado como você idade, ou você tem um gene defeituoso, ou que você tenha sido exposto a um acidente médico. Isso é o que nós estamos hipotetizando ", disse ele.

"É importante ressaltar que isto se relaciona com uma situação muito especial onde as pessoas foram injetados essencialmente com extratos de tecido humano. Em nenhuma maneira estamos sugerindo que a doença de Alzheimer é uma doença contagiosa. Você não pode pegar a doença de Alzheimer, vivendo com ou cuidar de alguém com a doença ", acrescentou.



Os oito adultos, com idade entre 36 e 51 anos, todos morreram da doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD) depois de receber injeções de hormônio contaminados como crianças. Mas autópsias em seus cérebros também revelou que sete dos quais alimentava as proteínas deformadas associadas com as fases iniciais da doença de Alzheimer. É inédito para pessoas nesta faixa etária apresentar tais proteínas.

Os cientistas não encontraram os "tau" emaranhados de proteínas associadas com os estágios mais avançados da doença, o que significa que os sete indivíduos não têm full-blown doença de Alzheimer, embora eles podem muito bem ter desenvolvido tivesse eles não morreram de CJD, Professor Collinge disse .

O estudo, publicado na revista Nature, eliminou outras possíveis razões para a presença destes chamados proteínas beta-amilóide (A-beta) e chegou à conclusão de que eles foram provavelmente transmitida como proteína "sementes" no growth- injeções de hormônio.

As perguntas permanecem sobre se essas sementes de proteína também pode ser transmitida em instrumentos cirúrgicos utilizados em outras operações. Está bem estabelecido que as proteínas priões por trás da CJD e de Alzheimer aderir a superfícies de metal e pode sobreviver procedimentos de esterilização extremas, tais como a limpeza a vapor e formaldeído.

Há também a questão de saber se a doença de Alzheimer pode ser transmitida nas transfusões de sangue, uma vez que experimentos com animais mostraram que isso seja possível.

"Não está claro aqui que esta é relevante para as transfusões de sangue, e estudos epidemiológicos têm sido feitos no passado à procura de ligações entre a doença e transfusões de sangue de Alzheimer e eles não têm mostrado uma associação", disse o professor Collinge.

"Certamente com vCJD, que é a forma de DCJ associada à doença da vaca louca, há infectividade encontrado no sangue e houve quatro casos documentados no Reino Unido de vCJD de um doador de sangue, que passou a obter vCJD, por isso, pode ocorrer ", disse ele.

Falando em uma conferência de imprensa, o professor Collinge acrescentou: "Certamente existem riscos potenciais em odontologia, onde é que têm impacto sobre o tecido nervoso, tais como tratamentos de raiz-canal e precauções especiais são tomadas por essa razão ... Se você está especulando se A- sementes beta são transmitidas a todos os instrumentos cirúrgicos por um teria que considerar se certos tipos de procedimentos odontológicos podem ser relevantes. "

Mas em um comunicado divulgado mais tarde, o Dr. Collinge esclareceu que mais pesquisas eram necessárias antes que qualquer conclusão pode ser tirada sobre quaisquer riscos potenciais em tratamentos médicos ou dentários atuais.

"Nossos resultados referem-se à circunstância específica de injeções de hormônio do crescimento humano derivados de cadáveres, um tratamento que foi interrompido há muitos anos", disse ele.


"É possível nossas descobertas podem ser relevantes para alguns outros procedimentos médicos ou cirúrgicos, mas avaliar o risco, se for o caso, pode haver requer muito mais pesquisa. Nosso banco de dados atual não tem qualquer influência sobre a cirurgia dental e certamente não argumentam que a odontologia representa um risco de doença de Alzheimer. "

Entre 1958 e 1985 cerca de 1.848 pessoas na Grã-Bretanha, a maioria crianças, receberam injeções de hormônio de crescimento feitas a partir de dezenas de milhares de glândula pituitária homogeneizadas derivadas de cérebros de cadáveres humanos.

O NHS mudou para hormônio de crescimento sintético em 1985, quando os cientistas perceberam que o hormônio derivado-hipófise poderia ser uma rota para a transmissão de CJD. Até 2000, havia 38 casos conhecidos de CJD "iatrogênica" resultante de injeções de hormônio do crescimento no Reino Unido, mas este número é susceptível de aumentar ainda mais por causa do período de incubação excepcionalmente longa da doença.

Dos sete pacientes que tiveram os primeiros sinais da doença de Alzheimer, quatro tinham depósitos graves da proteína beta-amilóide, três tinham depósitos moderados e um tinha vestígios.

Dame Sally Davies, Diretor Médico do Governo, minimizou a importância da pesquisa de ontem dizendo que era um pequeno estudo em apenas oito amostras.

Os resultados levantam questões sobre alguns procedimentos cirúrgicos (AFP) Os resultados levantam questões sobre alguns procedimentos cirúrgicos (AFP)
"Não há evidência de que a doença de Alzheimer pode ser transmitida em humanos, nem há qualquer evidência de que a doença de Alzheimer pode ser transmitido através de qualquer procedimento médico," disse Dame Sally.

"Eu posso tranquilizar as pessoas que o SNS tem procedimentos extremamente rigorosos no lugar para minimizar o risco de infecção de equipamentos cirúrgicos, e os pacientes são muito bem protegida", ela acrescentou.

John Hardy, professor de neurociência na UCL, disse: "Acho que pode ser relativamente certeza de que é possível transmitir amilóide patologia pela injeção de tecidos humanos que contêm o amilóide da doença de Alzheimer. Será que ela tem implicações para transfusões de sangue? Provavelmente não, mas isso definitivamente merece investigação epidemiológica sistemática. "

Doug Brown, diretor de pesquisa da Sociedade do Alzheimer, disse: "Embora estes resultados são interessantes e merecem uma investigação mais aprofundada, há muitas incógnitas neste pequeno estudo observacional de oito cérebros para tirar quaisquer conclusões sobre se a doença de Alzheimer pode ser transmitido esta caminho.

"As injeções de hormônio do crescimento tirados de cérebros humanos foram parados na década de 1980. Resta absolutamente nenhuma evidência de que a doença de Alzheimer é contagiosa ou pode ser transmitida de pessoa para pessoa através de quaisquer procedimentos médicos atuais ".

O que é um prião?

A doença de Alzheimer é agora considerado uma "doença de príon". Os príons, abreviação de partículas infecciosas proteicas, são proteínas deformadas que carregam a capacidade de desencadear novas proteínas para misfold, levando a doenças debilitantes do cérebro, tais como CJD em humanos, EEB em bovinos e scrapie em ovinos.

Os príons são únicos em ser um agente infeccioso sem quaisquer genes, ao contrário dos vírus ou bactérias. Eles são extremamente tenaz, que adere a superfícies metálicas de instrumentos cirúrgicos e sobreviver às temperaturas elevadas e agentes químicos que matam os micróbios e vírus infecciosos.

Stanley Prusiner, da Universidade da Califórnia, cunhou a palavra prion no início de 1980 e seu trabalho pioneiro sobre os levou a um Prêmio Nobel em 1997.

________________________________________________________________

Texto Original em inglês

The “seeds” of Alzheimer’s disease may be transmitted from one person to another during certain medical procedures, scientists have found.

A study into people who died of a separate kind of brain disease after receiving injections of human growth hormone suggests that Alzheimer’s may also be a transmissible disease.

The findings have raised questions about the safety of some medical procedures, possibly including blood transfusions and invasive dental treatment, which may involve the transfer of contaminated tissues or surgical equipment.

The investigation has shown for the first time in humans that Alzheimer’s disease may be a transmissible infection which could be inadvertently passed between people.

Scientists emphasised that the new evidence is still preliminary and should not stop anyone from having surgery. They have also stressed that it is not possible to “catch” Alzheimer’s by living with someone with the disease.

However, the findings of a study into eight people who were given growth hormone injections when they were children have raised the disturbing possibility that Alzheimer’s can be transmitted under certain circumstances when infected tissues or surgical instruments are passed between individuals.

Scientists emphasised that the new evidence is still preliminary (AFP) Scientists emphasised that the new evidence is still preliminary (AFP)
Until now, it was thought that Alzheimer’s occurred only as a result of inheriting certain genetic mutations causing the familial version of the disease, or from random “sporadic” events within the brain of elderly people, said Professor John Collinge, head of neurodegenerative diseases at University College London.

“What we need to consider is that in addition to there being sporadic Alzheimer’s disease and inherited or familial Alzheimer’s disease, there could also be acquired forms of Alzheimer’s disease,” Professor Collinge said.

“You could have three different ways you have these protein seeds generated in your brain. Either they happen spontaneously, an unlucky event as you age, or you have a faulty gene, or you’ve been exposed to a medical accident. That’s what we’re hypothesising,” he said.

“It’s important to emphasise that this relates to a very special situation where people have been injected essentially with extracts of human tissue. In no way are we suggesting that Alzheimer’s is a contagious disease. You cannot catch Alzheimer’s disease by living with or caring for someone with the disease,” he added.

The eight adults, aged between 36 and 51, all died of Creutzfeldt-Jakob disease (CJD) after receiving contaminated hormone injections as children. But autopsies on their brains also revealed that seven of them harboured the misfolded proteins associated with the early stages of Alzheimer’s disease. It is unheard of for people in this age group to have such proteins.

The scientists did not find the “tau” protein tangles associated with the later stages of the disease, which means the seven individuals did not have full-blown Alzheimer’s, although they may well have developed it had they not died of CJD, Professor Collinge said.

The study, published in the journal Nature, eliminated other possible reasons for the presence of these so-called amyloid-beta (A-beta) proteins and came to the conclusion that they were most probably transmitted as protein “seeds” in the growth-hormone injections.

Questions remain about whether these protein seeds could also be transmitted on surgical instruments used in other operations. It is well-established that the prion proteins behind CJD and Alzheimer’s stick to metal surfaces and can survive extreme sterilisation procedures such as steam cleaning and formaldehyde.

There is also the question of whether Alzheimer’s disease could be passed on in blood transfusions, given that animal experiments have shown this to be possible.

“It is not clear here that this is relevant to blood transfusions, and epidemiological studies have been done in the past looking for links between Alzheimer’s disease and blood transfusions and they have not shown an association,” Professor Collinge said.


Speaking at a press conference, Professor Collinge added: “Certainly there are potential risks in dentistry where it is impacting on nervous tissue, such as root-canal treatments and special precautions are taken for that reason... If you are speculating whether A-beta seeds are transmitted at all by surgical instruments one would have to consider whether certain types of dental procedures might be relevant.”

But in a statement issued later, Dr Collinge clarified that more research was needed before any conclusions could be drawn about any potential risks in current medical or dental treatments.

“Our findings relate to the specific circumstance of cadaver-derived human growth hormone injections, a treatment that was discontinued many years ago,” he said.


“It is possible our findings might be relevant to some other medical or surgical procedures, but evaluating what risk, if any, there might be requires much further research. Our current data has no bearing on dental surgery and certainly does not argue that dentistry poses a risk of Alzheimer’s disease.”

Between 1958 and 1985 some 1,848 people in Britain, mostly children, received growth hormone injections made from tens of thousands of homogenised pituitary glands derived from the brains of human cadavers.

The NHS switched to synthetic growth hormone in 1985 when scientists realised that pituitary-derived hormone could be a route for transmitting CJD. Up to 2000, there were 38 known cases of “iatrogenic” CJD resulting from growth hormone injections in the UK, but this figure is likely to rise further because of the exceptionally long incubation period of the disease.

Of the seven patients who had the early signs of Alzheimer’s, four had severe deposits of amyloid-beta protein, three had moderate deposits and one had traces.

Dame Sally Davies, the Government’s Chief Medical Officer, played down the significance of the research yesterday saying that it was a small study on only eight samples.

The findings raise questions about some surgical procedures (AFP) The findings raise questions about some surgical procedures (AFP)
“There is no evidence that Alzheimer’s disease can be transmitted in humans, nor is there any evidence that Alzheimer’s disease can be transmitted through any medical procedure,” Dame Sally said.

“I can reassure people that the NHS has extremely stringent procedures in place to minimise infection risk from surgical equipment, and patients are very well protected,” she added.

John Hardy, professor of Neuroscience at UCL, said: “I think we can be relatively sure that it is possible to transmit amyloid pathology by the injection of human tissues which contain the amyloid of Alzheimer’s disease. Does it have implications for blood transfusions? Probably not, but this definitely deserves systematic epidemiological investigation.”

Doug Brown, director of research at the Alzheimer’s Society, said: “While these findings are interesting and warrant further investigation, there are too many unknowns in this small, observational study of eight brains to draw any conclusions about whether Alzheimer’s disease can be transmitted this way.

“Injections of growth hormone taken from human brains were stopped in the 1980s. There remains absolutely no evidence that Alzheimer’s disease is contagious or can be transmitted from person to person via any current medical procedures.”

What is a prion?

Alzheimer’s disease is now considered a “prion disease”. Prions, short for proteinaceous infectious particles, are misfolded proteins that carry the ability to trigger further proteins to misfold, leading to debilitating brain disorders, such as CJD in humans, BSE in cattle and scrapie in sheep.

Prions are unique in being an infectious agent without any genes, unlike viruses or bacteria. They are extremely tenacious, sticking to metal surfaces of surgical instruments and surviving the high temperatures and chemical agents that kill off infectious viruses and microbes.


Stanley Prusiner, of the University of California, coined the word prion in the early 1980s and his pioneering work on them led to a Nobel Prize in 1997.

Biografia de CÉSAR MAIA



Biografia de CÉSAR MAIA

Cesar Epitácio Maia nasceu em 18 de junho de 1945, em Copacabana, no atual Hospital São Lucas. Sua família era o modelo típico da classe média carioca dos anos 40 e 50. Os pais eram servidores públicos: Felinto Maia foi engenheiro e diretor da Casa da Moeda, tendo trabalhado com JK, e Dalila Ribeiro de Almeida Maia foi professora.

Morador da Tijuca com seus irmãos Eni, Kivia, Cláudio e Ana Maria, estudou no Instituto de Educação. Em 1956, mudou-se para um apartamento na Rua Jangadeiros, em Ipanema, comprado por Felinto Maia pela Caixa Econômica Federal. Estudou no Colégio Santo Inácio e, posteriormente, no Padre Antônio Vieira.

Prestou o serviço militar na tropa. Em seis meses de quartel, o soldado 230 passou a cabo e ganhou diploma de Honra ao Mérito por comportamento irrepreensível. Na seqüência, iniciou o curso de engenharia de mineração em Ouro Preto, onde começou sua carreira política.

Engajado na luta pela redemocratização do Brasil após o golpe de 1964, tornou-se militante do Partido Comunista Brasileiro, participando de congressos estudantis. Perseguido pela ditadura, exilou-se no Chile. Estudou na Escola de Economia da Universidade do Chile ao lado de outros exilados brasileiros como José Serra. Em 1969 casou-se com Mariangeles Ibarra e teve um casal de filhos gêmeos bivitelinos, Daniela e Rodrigo Maia, hoje deputado federal, que lhes deram seis netos: Joaquim Felipe, Betina, Cesar Antônio, Ana Luiza, Maria Beatriz e Maria Antônia.

Retornou ao Brasil em 1973, a partir de Portugal. Como havia processos pendentes na Justiça Militar, foi preso no aeroporto e levado para detenção no Batalhão de Guardas – onde hoje é a sede da Guarda Municipal da Prefeitura do Rio. Três meses depois o processo foi arquivado por falta de provas.

Começou trabalhando como economista na Klabin e professor de macroeconomia da Universidade Federal Fluminense. A partir daí, a volta à atividade política foi inevitável. Em 1981 ingressa no Partido Democrático Trabalhista e, no ano seguinte, participa da campanha de Leonel Brizola ao governo do estado do Rio de Janeiro.

Com a eleição de Brizola e sua nomeação como Secretário de Fazenda, Cesar Maia inicia sua trajetória de homem público. Sua gestão como secretário de fazenda foi marcada pelo saneamento das finanças do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Em 1986 é eleito deputado-constituinte.

E sendo reeleito em 1990.

Assina filiação com o PMDB em 1991 que o lança como candidato a prefeito da cidade do Rio de Janeiro com o apoio do Dr. Ulysses Guimarães.

Cesar Maia foi eleito prefeito da cidade após vencer a candidata Benedita da Silva no segundo turno. Sua administração começou marcada pelo lançamento de um novo tipo de pensamento administrativo focada em intervenções urbanas na cidade e na recuperação das posturas municipais: “Minha entrada coincidiu com o enfretamento de uma profunda crise urbana na cidade. Os governos anteriores tinham como marca registrada uma base populista. Abandonavam a cidade consolidada em nome das “prioridades sociais” de uma metrópole ocupada desordenadamente, principalmente em favelas. Passamos por um longo período em que os bairros centrais básicos do Rio de Janeiro praticamente não receberam uma intervenção relevante”.

Por conta disso foi alvo de diversas críticas. Sua popularidade foi recuperada no final do segundo ano de governo quando as obras como o Rio Cidade começaram a ganhar visibilidade. O apoio popular foi grande a ponto de Cesar Maia conseguir eleger seu sucessor e ser eleito novamente prefeito em 2000, desta vez pelo PTB, para uma administração marcada com sucesso pela intensificação dos programas anteriores e o lançamento de grandes equipamentos urbanos – elementos de competitividade e atratividade das grandes metrópoles do mundo.

Em outubro de 2004, a população manifestou sua aprovação à administração municipal e reelegeu Cesar Maia, pela terceira vez, numa histórica vitória no primeiro turno. Em seu terceiro mandato, Cesar Maia avança em seu projeto de renovação contínua para que importantes programas sociais, econômicos, esportivos e culturais possam ter seu tempo de amadurecimento. Em maio de 2005 completou 101 meses à frente da administração municipal e se tornou o governante a dirigir por mais tempo a Cidade. Seu objetivo, porém, é o mesmo de quando assumiu a Prefeitura pela primeira vez. “Nosso compromisso maior e mais profundo é chegar lá na frente e dizer: a vida do nosso povo melhorou”.

Seu terceiro mandato (2005 – 2008) foi marcado por grandes obras de equipamentos esportivos visando à realização dos Jogos Panamericanos e Parapanamericanos de 2007: Vilas Olímpicas, Estádio Olímpico João Havelange (o Engenhão); Parque Aquático Maria Lenk; Arena Rio e Velódromo.

Cesar Maia foi um dos primeiros políticos a explorar a internet como uma ferramenta de aproximação com os cidadãos, criando um canal permanente tanto com o morador da cidade como com os jornalistas da mídia carioca. Já em 2005, criou um blog com análises políticas que posteriormente transformou-se na hoje newsletter “Ex-blog do Cesar Maia” direcionada às pessoas que se inscrevem para recebê-la. Mantém ainda o site www.cesarmaia.com.br; está no Twitter, no Formspring e no Facebook.

Cesar Maia é dirigente do Democratas, representando o partido em assuntos da América do Sul e vice-presidente da União de Partidos Latinoamericanos (UPLA).


Cesar Maia foi eleito vereador no Rio de Janeiro, assumindo uma cadeira na Câmara de Vereadores a partir de 2013.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

DEPRESSÃO-Ricardo Boechat 27/08/2015


DEPRESSÃO, se não for exagero, é um mal do século. Muitos dela sofrem e , pior, não sabem, pensam que é mero cansaço curável com algumas horas de sono  a mais. 
O relato do jornalista Ricardo Boechat é um caso-limite: pode nos acontecer. Fica como alerta ...


DEPRESSÃO-Ricardo Boechat 27/08/2015



Acho que devo uma explicação às centenas de pessoas que me escreveram nos últimos dias perguntando o que eu tinha e desejando minha pronta recuperação.

Pois bem, queridos amigos, o que eu tive foi um surto depressivo agudo. Minutos antes de começar o programa de rádio da quarta-feira retrasada eu simplesmente sofri um colapso, um apagão aqui no estúdio. Nada na minha cabeça fazia sentido. Nenhum texto era compreensível. Os pensamentos não fechavam e uma pressão insuportável dava a nítida sensação de que o peito ia explodir. Fiquei completamente desnorteado e achei melhor me refugiar no meu camarim e esperar socorro médico. Quando finalmente minha doce Veruska me levou ao doutor e eu descrevi o que estava sentindo ele foi categórico em dizer que era depressão. Que o estado de pânico, a balbúrdia mental, a insegurança e tudo mais eram sintomas clássicos do surto depressivo.

Quem cai num quadro desses perde qualquer condição de continuar ativo, de pensar as coisas mais simples. A pessoa morre ficando viva.

E eu fiquei impressionado nestes dias com a quantidade de gente que sofre do mesmo problema. Quando contei a alguns ouvintes que me ligaram o que estava acontecendo, muitos disseram já ter passado por isso, ou conhecer alguém que ainda passa ou já passou.

O Barão me mostrou um vídeo produzido pela ONU indicando que esse fenômeno é global. Uma amiga minha citou números da Organização Mundial da Saúde afirmando que a depressão é a doença que mais cresce no mundo. E o Bruno Venditti me mandou um texto muito bom do pregador Élder Holland sobre o assunto.

Tanto o vídeo da ONU quanto esse texto deixam claro que é importante não esconder a doença, não esconder a depressão. Não tratá-la na clandestinidade. É importante aceitá-la para combatê-la - e todo o silêncio, do próprio doente ou de quem está à sua volta, dificulta a recuperação. Essa necessidade de não fazer segredo, além da sinceridade que faço questão de manter na relação com os ouvintes, é a razão deste depoimento pessoal.

O texto que eu li fala do “transtorno depressivo maior” lembrando que isso não significa apenas um dia ruim, ou um contratempo, ou momentos de desânimo ou ansiedade, que são coisas que todos temos normalmente.

A depressão é muito mais que isso e muito mais séria. É uma aflição tão severa que restringe a capacidade de uma pessoa funcionar plenamente, um abismo mental tão profundo que ninguém pode achar que vai se safar apenas endireitando os ombros ou pensando coisas positivas.

Não, minha gente, essa escuridão da mente e do estado de espírito é mais do que um simples desânimo. É um desequilíbrio da química cerebral, algo tão físico quanto uma fratura óssea, ou um tumor maligno. É um fenômeno que atinge todo mundo: quem perde um ente querido, mães jovens com depressão pós-parto, estudantes ansiosos, militares veteranos, idosos de uma maneira geral e pais preocupados com o sustento da família.

A depressão não escolhe vítimas por seu grau de instrução ou situação econômica. Castiga sem piedade e da mesma forma pobres e ricos, anônimos e famosos.

Os médicos que estão me tratando disseram que eu estiquei a corda demais, que fiz mais coisas do que deveria fazer e em menos tempo do que seria razoável. Eu fui além dos limites que minha saúde permitia e ignorei todos os sinais físicos e avisos domésticos. Quantas vezes a minha doce Veruska me disse: "Você vai pifar! Você vai pifar!"...

O texto que eu li ensina que para prevenir a doença da depressão é preciso estar atento aos indicadores de estresse em sua própria vida. Assim como fazemos com nosso carro, é fundamental observar a temperatura do nosso motor interno, os limites de nossa velocidade, ou o nível de combustível que temos no tanque. Quando ocorre a “depressão por exaustão”, que foi o meu caso, é preciso fazer os ajustes necessários. A fadiga é o inimigo comum e recuperar forças passa a ser uma questão de sobrevivência.

A experiência mostra que, se não reservarmos um tempo para nos sentirmos bem, sem dúvida depois teremos que dispender tempo passando mal. E foi o que aconteceu. Mas a cura existe. Às vezes requer tratamentos demorados. Mas, como está no texto que eu li, "mentes despedaçadas também podem ser curadas, assim como corações partidos".

Eu sei que quem liga o rádio numa estação de notícias quer receber informações de interesse geral, quer saber da política, da economia, dos acidentes, do engarrafamento nosso de cada dia.

Então peço desculpas por não entregar nada disso a vocês neste papo inicial no dia de minha volta. Nada de impeachment, de renúncia, de Cunha, de Renan, de inflação, do ajuste fiscal e de tantas outras coisas que só têm feito infernizar nossas vidas mas que são as manchetes do momento.

Não falei neste bate papo nem mesmo das abobrinhas de que eu gosto tanto e que nos ajudam a cumprir a jornada diária sofrendo menos.
Este papo de hoje é sobre depressão. Um mal que afeta milhões de pessoas, milhares delas no Brasil, um mal sobre o qual é preciso estar informado e não fazer segredo.

Como eu agora me descobri fazendo parte dessa população doente, pensei muito nas noites sem dormir dos últimos dias e tomei a decisão de dividir essa experiência com vocês. Se com isso eu conseguir ajudar algum ouvinte a prevenir a depressão ou a curá-la, já me dou por satisfeito.

E toca o barco.

Rádio BandNews FM Jornal da Band Café Com Jornal BandNews TV

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Cleópatra: muito mais que uma lenda.



Cleópatra: muito mais que uma lenda.

A última grande figura do Egito antigo sonhou um destino excepcional para seu país. Seu caráter era apaixonado, e ela exerceu o poder com notável gênio político.
Marcel Brion


Fragmento de um  relevo que se acredita ser um retrato de Cleópatra. A imagem provavelmente esta inacabada ou era usada por escultores como modelo

Após o assassinato de sua filha Berenice, restavam a Ptolomeu Aulete quatro filhos legítimos: dois meninos, ambos chamados Ptolomeu, e duas meninas, Arsinoé e Cleópatra. Quando o faraó morreu, os meninos eram bem pequenos e Arsinoé tinha 14 anos. Quem assumiu o poder, no ano 51 a. C., foi a mais velha, Cleópatra. Aos 17 anos, ela já era admirada por suas qualidades de estadista, inteligência, energia, sentido de grandes projetos e, também, paciência e tenacidade.

Crescera em meio ao tumulto e à angústia da guerra, da invasão. Conheceu a humilhação da ocupação estrangeira, a arrogância e a brutalidade dos romanos, os caprichos rústicos e ruidosos daquela população mestiçada que habitava Alexandria, a docilidade e a resignação dos camponeses curvados pelo peso de milênios de submissão. Por mais que tivesse orgulho de sua ascendência real e de sua herança macedônica, sentia uma profunda simpatia pelo povo egípcio, com suas virtudes ancestrais, seu amor pela paz, sua harmonia com os elementos e as estações do ano.

Ela não era egípcia; seu sangue se constituía de heranças gregas, macedônicas e persas. Pertencia ao Egito pela inteligência e coração. De natureza generosa, orgulhosa e ousada, ela se indignou quando o jugo de Roma pesou sobre aquele país cuja civilização era tão mais antiga e refinada. Acalentou o sonho e a a ambição de livrar seu povo da tirania estrangeira. Todos os atos de seu governo e seu comportamento pessoal indicam que Cleópatra desde sempre acalentou a possibilidade de reinar sobre um vasto domínio, além- fronteiras. É imperioso abandonar o clichê da Cleópatra voluptuosa, ocupada apenas com paixões e prazeres. Ou, ao menos, é preciso reconhecer que, se essa Cleópatra realmente existiu, ela não era sua única face. Seu caráter e seu temperamento afastam qualquer tentativa de delimitação. A obstinação de definir de modo tão apequenado uma personalidade de prodigiosa complexidade não resiste diante das afirmações dos melhores historiadores da dinastia ptolomaica, que reconhecem todos nessa mulher as qualidades e as ambições de um grande rei.

Tinha vícios, mas somava a eles o raro talento de quem tem o verdadeiro gênio político de conseguir que eles concorram para a realização de seus projetos. Sua destreza em compartilhar as derrotas de César e de Marco Antônio não passava de recurso para garantir o domínio sobre os senhores de Roma e, por meio deles, realizar seus desejos e sonhos ambiciosos. Sabia ser uma grande rainha, uma amante que dominava a arte mais refinada das prostitutas e uma menina que se divertia com jogos pueris.

O modo como ela - para conseguir chegar a César - fez com que fosse levada a seu palácio, enrolada num tapete carregado sobre os ombros de seu escravo Apolodoro de Sicília, comprova mais uma de suas adoráveis e originais qualidades e, ao mesmo tempo, mostra sua engenhosidade em inventar estratagemas e astúcias de batalha.

Ao mesmo tempo, era mais sábia e mais culta do que qualquer mulher da época. Falava fluentemente egípcio, árabe, persa, aramaico, etíope e somali, além de suas línguas maternas.

Plutarco afirmou que ela não era bonita. Ela devia o domínio que exercia sobre os homens que se aproximaram dela, exceção feita ao glacial Otávio, à inteligência brilhante, sedutora, feita de mil facetas, viva, fulgurante, capaz de cegar. Cleópatra VII, a mais notável das rainhas do Egito, encontrava-se em situação perigosa no momento de sua ascensão. Ela havia se casado com - e alçado ao poder - o mais velho de seus irmãos, Ptolomeu XII, então com cerca de 10 anos de idade. Esse marido não podia ajudá-la em nada, e além disso ela conservava o título de rei, como fizera anteriormente Hatshepsut, que aparece usando a barbicha postiça ritual, nas efígies. Essa tradição perdera-se com o passar do tempo, mas nos registros fala-se dela como de um rei, e não como de uma rainha, e as moedas a tratam de basileus, não de basilissa.

O exército romano acampava muito próximo de Alexandria. No palácio, o poder era dividido entre três personagens influentes: Aquilas, um egípcio chefe do exército real, Teódoto, um grego de Quios que era preceptor dos reais infantes, e o eunuco e tutor Potino, também grego. Esse trio se orgulhava de governar a mulher e o rei-infante. Já o exército romano lembrava ininterruptamente aos egípcios que sua independência já não mais existia e que os súditos eram da República Romana, não de Cleópatra. Mas a qual fração, ou facção, da república os guerreiros pertenciam: a César ou a Pompeu? A guerra havia sido declarada, entre esses dois aspirantes a ditador. Cada um deles tinha levado suas tropas, e era evidente que só a força das armas decidiria o conflito que ameaçava pôr a ferro e fogo os mundos oriental e ocidental.

Covardia e traição
O Oriente era simpático a Pompeu. O Egito, em particular, lhe fornecia trigo e soldados. O exército acampado em Alexandria tinha devoção pelo vencido de Farsália. Após aquela derrota, Pompeu fora buscar asilo no Egito, onde tinha certeza de encontrar adeptos. Na época, Cleópatra deixara Alexandria. A coalizão formada por Potino, Aquilas e Teódoto havia instigado o povo contra ela. Cleópatra tivera a imprudência de querer se livrar de seus incômodos ministros, e agora eles a obrigavam a fugir para salvar a própria vida. A facção de Potino tinha conspirado de tal maneira que Ptolomeu, inteiramente dominado por eles, aparentava ser o verdadeiro rei, enquanto a sucessora de Aulete era vista como intrusa e usurpadora. Cleópatra partiu rumo ao deserto para reunir algumas tribos nômades que aliciara, contra a promessa de ricas recompensas.

A idéia de invadir o Egito seduzia esses senhores das areias, maravilhados com relatos sobre as suntuosidades alexandrinas. Cleópatra não teve dificuldade de reunir um exército à frente do qual, então com 20 anos de idade, guerreou contra o Aquilas.

Este estava pouco inclinado a aceitar tal conflito; os olhares voltavam-se para Farsália, onde o poderio de Pompeu havia desmoronado. Todos se perguntavam quem seria o novo senhor. Os três ministros, que controlavam como uma marionete o jovem Ptolomeu, único rei do Egito desde a fuga de Cleópatra, tremeram quando Pompeu, derrotado e em fuga, pediu a hospitalidade do Egito.

Cleópatra tinha toda simpatia por Pompeu; quando ainda era rainha, ela havia acolhido seus pedidos de ajuda. Seu jovem irmão e seus ministros só levavam em consideração os perigos que poderiam advir de oferecer asilo político ao fugitivo. Todavia, não ousaram recusar o pedido, pois a tradição mandava que se respeitasse o direito de asilo, até como dever sagrado. Plutarco relata os termos em que o Conselho de ministros debateu essa delicada questão: "Receber Pompeu, disse Potino, é escolher César como inimigo e Pompeu como senhor; recusá-lo, é fazer com que Pompeu nos acuse de tê-lo expulso, e César de o termos obrigado a persegui-lo. O melhor, portanto, é mandar buscá-lo e matá-lo. Assim, submeteremos um, sem precisar temer o outro. Um morto não precisa ser temido".
Cleópatra não tomaria uma decisão dessas caso ainda fosse a senhora do reino. Mas como estava ausente, a covardia prevaleceu. Pompeu foi avisado de que o Egito lhe oferecia hospitalidade e Aquilas foi lhe dar as boas-vindas. Existem poucos episódios tão trágicos na história quanto este, de pérfida recepção, enquanto se tramava assassiná-lo. Enquanto o exército se aglomerava à margem, tendo à frente um jovem Ptolomeu vestido de púrpura, e a frota egípcia se preparava para controlar o mar, Aquilas e os carrascos partiram numa simples barca, para buscar Pompeu. O general tinha consigo o centurião Salvius e o tribuno Septimius.

Sem desconfiar, Pompeu se despediu da mulher Cornélia e subiu na barca. "A distância era longa, da galera até a margem", conta Plutarco: "Como durante o trajeto ninguém lhe dirigisse uma única palavra amável, ele se voltou para Septimius. \\`Se não estou enganado, nós já não guerreamos juntos?\\`. Septimius assentiu com a cabeça, sem proferir nenhuma palavra, sem denotar interesse. Fez-se novamente um profundo silêncio. Pompeu tomou de um pequeno caderno, no qual havia redigido um discurso em grego, que pretendia dirigir a Ptolomeu, e pôs-se a ler. Quando já se aproximavam da terra firme, Cornélia olhava do alto da galera, junto de seus amigos.

Ela começava a se tranqüilizar, vendo os homens do rei aproximar-se em massa do desembarque, como que para recebê-lo com honras. Naquele momento, Pompeu tomou da mão de seu escravo liberto, Felipe, para se erguer mais facilmente. Septimius desferiu o primeiro golpe de espada por trás, trespassando seu corpo; depois dele, Salvius e em seguida Aquilas sacaram seus punhais. Segurando a toga com as duas mãos, Pompeu cobriu com ela o rosto, e sem nada dizer ou fazer que fosse indigno dele, emitindo simplesmente um suspiro, abandonou seu corpo aos golpes".

Laços de intimidade

Alguns dias mais tarde, as galeras de César surgiram diante de Alexandria. Teódoto apressou-se em lhe levar a cabeça de Pompeu, como garantia da devoção do Egito. Talvez temendo uma armadilha, César desembarcou com um exército de cerca de 4 mil soldados e um milhar de cavaleiros, que acamparam na cidade.

O objetivo de César era mediar a questão entre Cleópatra e seu irmão, em benefício de Roma. Queria, sobretudo, que ambos se dessem conta de que estavam à mercê de Roma, e que não havia sentido em brigarem por uma coroa despida para eles de qualquer realeza. Era pouco provável, no entanto, que César pretendesse suprimir com uma penada a autoridade deles para substituí-los por um simples governador romano. Certamente pretendia nomear um dos dois irmãos, ao qual deixaria o título de rei, mas que não passaria de um funcionário de Roma. Assim, Cleópatra e Ptolomeu, ela na fronteira do deserto e ele em Pelusa, receberam o convite de César para se apresentar diante dele a fim de acolher suas instruções. Ptolomeu hesitava em obedecer. Dizia-se que César manifestara grande tristeza e enorme cólera diante da visão de seu inimigo morto. Havia se indignado com o fato de os egípcios, auxiliados por romanos traidores, terem cometido um crime, que agora ameaçava se voltar contra eles. O jovem rei, aconselhado por Potino e Aquilas, permaneceu na expectativa e tergiversava.

Cleópatra, ao contrário, compreendeu que era preciso rapidamente ir a César. Ela dispensou seu exército e abriu mão de qualquer cerimônia: pôs-se em marcha com seu escravo, Apolodoro, um siciliano habilidoso. Ele enrolou a rainha num tapete, que colocou sobre o ombro, e entrou no palácio à procura de César, a quem dizia querer entregar o presente. Foi assim que aconteceu o primeiro encontro entre o general romano e a herdeira dos faraós, numa atmosfera de comédia bufa, que estabeleceu de imediato entre eles ligações de intimidade com as quais Cleópatra contava para assentar seu império sobre o coração e o espírito de César.

Aquela mulher não demorou a conquistar o conquistador. Juntos, eles enfrentaram os ataques do exército de Aquilas e da população rebelada, que não aceitava nem César nem Cleópatra, e pretendia devolver o trono ao jovem Ptolomeu. Os perigos comuns fortificaram a ligação, mas a situação era crítica. Sitiados na parte alta da cidade, não podiam ir de encontro à frota romana. A frota egípcia tinha sido incendiada por ordem de César. Os adeptos do jovem Ptolomeu receberam reforços providenciados pela princesa Arsinoé, que não tinha mais do que 15 anos de idade, mas que exibia bravura e ambição. Ela levava consigo sua corte, seu preceptor, Ganimedes, e seus empregados. O jovem Ptolomeu permitira-se cair na armadilha da reconciliação e havia voltado para Alexandria, onde César o mantinha sob controle.

Arsinoé foi a agente da guerra contra César e Cleópatra. No entanto, seus generais brigavam entre si, e Ganimedes mandou assassinar Aquilas, para dominar sozinho o exército. Essas discórdias enfraqueceram os sitiantes, mas os sitiados também viam sua situação piorar. Tinham sido privados de água; César perdera muitos dos seus ao tentar uma saída. Quase caiu nas mãos do inimigo. Como os reforços pelos quais esperava não chegavam, ele quis ganhar tempo e negociou com os rebeldes: eles exigiam a devolução do jovem Ptolomeu. César concordou e assim perdeu o refém que lhe permitia manter os alexandrinos em xeque.

Certo dia, foi informado de que vinha, do Oriente, um exército em seu socorro, comandado por Mitrídates de Pérgamo. Imediatamente, César e Cleópatra, que cavalgavam juntos à frente de um pequeno grupo de guerreiros, deixaram a cidade, para se juntar a Mitrídates e com ele se precipitar sobre os alexandrinos. Em poucas horas o exército de Ptolomeu e Arsinoé foi dizimado e expulso. Ptolomeu desapareceu; nem seu cadáver foi encontrado.

A resistência alexandrina havia sido rompida. A população daquela cidade, tão pouco egípcia por sua raça e costumes, não mais oprimiria o verdadeiro Egito. Ela não mais se oporia aos projetos de Cleópatra, que, senhora dos sentidos e da vontade de César, poderia realizar seus projetos.


Ela identificara nele uma extraordinária vontade de poder. Era digno de ser associado a seu próprio destino, e capaz de ajudá-la a cumpri-lo. Mal informada acerca das particularidades da civilização romana, Cleópatra quis fazer de César um grande rei. Encarnava a tentadora que lhe propunha a mesma tentação com que seu orgulho e ambição sonhavam.


Para ela, o futuro de César não deveria se limitar ao mundo romano, mas estender-se. Queria que ele aspirasse ao Império do mundo, como Alexandre. Este, porém, não enfrentara barreiras como as erguidas pelas instituições romanas e, sobretudo, os interesses pessoais e muitas vezes mercantis que motivavam senadores e cavaleiros. César era cativo de uma rede de formalidades, obrigações e deveres.

Sabia que se os democratas desconfiassem dessa tendência à realeza não hesitariam em assassiná-lo. Cleópatra tinha sonhado fazer dele seu parceiro, a rainha do império do qual ela continuaria sendo o rei. Mas ele mesmo não se conformava com esse papel.

Contentou-se em passear pelo Egito em companhia dela, descendo o Nilo, mas quando a primavera voltou - momento em que Roma já manifestava sua impaciência -, ele deixou Cleópatra e partiu para o Ponto, a fim de esmagar a revolta de Farnaces. Ao mesmo tempo que os veteranos das legiões guerreavam, Cleópatra dava à luz um filho de César, a quem ela chamou Cesarião. A audácia chocou os egípcios.

O clero dificultou ainda mais as coisas, ao afirmar, segundo a tradição, que a criança era filho de Rá, que havia assumido a aparência de César. Salvava, assim, a legitimidade e o caráter sagrado da realeza. Quando entrou em Roma coroado de louros, César reconheceu o filho e dedicou à Vênus Genitrix uma estátua de ouro que representava Cleópatra. Ele, entretanto, nunca mais voltou ao Egito.
Cleópatra foi para Roma, o que causou escândalo, em especial aos puritanos, pois César era casado com Calpúrnia. Tamanha imprudência promoveu a união dos democratas e puritanos, uns recriminando a César o fato de ele querer tornar-se rei, os outros temendo que ele repudiasse a esposa para se casar com a egípcia, o que criaria dificuldades incontornáveis e poria em perigo a República. Se ela tivesse podido levar César para Alexandria, o centro de ação mundial teria sido deslocado. Abrindo mão de ser somente um homem de política romano, César teria se tornado rei do Egito primeiro, e em seguida imperador do mundo oriental. Por maior que fosse o fascínio de Cleópatra e seu poder sobre o homem que amava, César não compartilhava inteiramente suas esperanças quiméricas. Morreu, aos pés da estátua de Pompeu, assassinado por "republicanos" hostis à ditadura e inimigos da "realeza".


Cleópatra pode ser considerada, de certo modo, responsável por sua morte, em função das instigações e apelos que fazia a seu orgulho, ambição e apetite de poder. Apressou-se em deixar Roma, com o pequeno Cesarião, para escapar à vingança daqueles que a acusavam de ter tido má influência sobre César. De volta a Alexandria, livrou-se do irmão que era uma ameaça e elevou ao poder Cesarião, então com 3 anos de idade. O exército romano tinha partido do Egito rumo à Ásia, para encontrar Dolabela, tenente de César que combatia as tropas senatoriais comandadas por Brutus e Cassius. Cleópatra recebeu de Dolabela o pedido de apoio das tropas egípcias, e de Cassius o de enviar sua frota aos "libertadores", mas manteve-se neutra nessa guerra civil que opunha "cesarianos" a "republicanos".


Ela esperou que o conflito que dividia Roma terminasse, para fazer o exame da situação e verificar qual proveito podia tirar dela. Uma vitória dos republicanos não era desejável, pois ela sabia que não tinha poder sobre libertários austeros como Cassius e Brutus. Ao contrário, o sucesso dos cesarianos lhe daria uma possibilidade de êxito, se fosse Marco Antônio o sucessor de César. Infelizmente, ele dividia o comando com Otávio, que tinha a fama de ser alguém consumido pela ambição, frio e calculista, que se furtaria a fazer o jogo da ambiciosa estrangeira. Somente Marco Antônio parecia útil para a realização de seus grandes projetos.
Após a vitória de Filipos, na segunda metade do ano 42, os chefes do exército cesariano dividiram o poder. Otávio retomou Roma, pois para ele era mais importante permanecer em contato com o Senado e suas facções, enquanto Marco Antônio, tentado pelo papel de rei oriental que era incentivado a desempenhar, de temperamento mais romanesco do que seu parceiro de poder, ficou no Oriente. De natureza generosa, ardente e acessível às ilusões românticas da glória e do amor, ele era uma vítima inteiramente desenhada para Cleópatra. Todavia, ela não tomou a iniciativa. Esperou que ele solicitasse a aproximação.


Marco Antônio estava na Sicília quando convidou Cleópatra a discutir a situação política da Ásia. Ela atendeu ao chamado. Fez-se acompanhar de um cortejo fantástico e teatral, cujos elementos, emprestados à mitologia grega, lembravam o séquito da própria Afrodite. Soube temperar, no entanto, a requintada elegância helênica com cores de desregramento romano, vulgar e violento o bastante para atordoar Marco Antônio. Ele caiu na armadilha. Conseguiu que Marco Antônio mandasse executar todos os seus inimigos pessoais, em especial sua irmã Arsinoé. Cleópatra o recompensou com delícias da "vida inimitável" que os historiadores não se cansam de descrever.

O triunfo de Marco Antônio

Durante dez anos, de 41 a 31 a.C., Marco Antônio não passou de um joguete relativamente dócil. Abandonou a mulher, que era irmã de Otávio, e dessa forma rompeu com aquele homem poderoso e influente, que se tornaria o senhor do mundo romano. Abreviou as estadias na Itália, limitadas a rápidas expedições militares, a fim voltar rapidamente para Alexandria. As conquistas às quais se dedicou foram as que podiam trazer alguma vantagem para o Egito, na Síria, na Cálcica, na Fenícia.

Houve várias tentativas de reconciliação entre Marco Antônio e Otávio, mas jamais um acordo durável e definitivo, pois assim que Marco Antônio reencontrava Cleópatra tudo voltava ao que era. Ela havia lhe dado três filhos: dois gêmeos, encarados como herdeiros divinos: Alexandre Hélio e Cleópatra Selena, e um terceiro, Ptolomeu Filadelfo. Para agradá-la, após a vitória sobre a Armênia, Marco Antônio comemorou seu triunfo em Alexandria, e não em Roma, onde ela e os filhos se apresentaram de maneira fulgurante, como deuses. Embriagada pelo sucesso, passou a usar vestimentas de Ísis nas cerimônias, o que a identificava com a deusa, sem dúvida para realçar ainda mais seu prestígio junto à população autóctone e para afirmar a natureza divina de sua realeza.


É significativo que após o triunfo de Marco Antônio seus filhos tivessem recebido títulos reais: Alexandre Hélio, o de grande rei da Armênia; a jovem Cleópatra, o de rainha da Cirenaica; Ptolomeu Filadelfo, o de rei da Síria e da Ásia Menor. O filho mais velho, Ptolomeu César, tornou-se rei dos reis, e a Cleópatra chamavam de rainha dos reis. Já não se tratava mais de dois reinos: o Egito fazia parte do império futuro, do qual era a província central, o núcleo. Habituados a ver seus soberanos deificados, os egípcios não se surpreenderam que Cleópatra ostentasse o título de deusa e de nova Ísis. Dois obstáculos ainda a separavam do império universal: os partas e Otávio. Várias vezes Marco Antônio havia feito a guerra contra os partas, sem contudo lograr um sucesso marcante. Os partas fechavam o caminho para o Extremo Oriente.

Por seu lado, Otávio era o senhor do mundo romano ocidental; sua política consistia em querer o Egito como província romana. Ele não aceitava a idéia de um império oriental-ocidental. A cada dia tornava-se mais evidente que Roma precisava escolher entre seus dois senhores, um que queria arrastá-la em suas aventuras perigosas, outro que seguia uma política menos brilhante a curto prazo, porém mais segura e vantajosa.

O fim de um Egito

O afastamento formal de Marco Antônio e Otávio consumou a ruptura. Prevendo que seu adversário, uma vez livre, se casaria com Cleópatra, Otávio começou por apresentá-la como inimiga de Roma, declarando guerra contra o Egito. Isso equivalia a colocar Marco Antônio diante da alternativa de renunciar à rainha para cumprir seu dever de romano, ou entrar em confronto aberto, no caso de permanecer fiel a ela. Sabemos qual foi a escolha de Marco Antônio. Em 2 de setembro de 31 a.C., as duas frotas se encontraram em Áccio, onde Marco Antônio foi vencido.

Cleópatra não se conformou com a derrota. Como os romanos eram os mestres do Mediterrâneo, ela concebeu o projeto fantástico de criar um império no Extremo Oriente, naquelas terras da Índia que Alexandre tinha conquistado. Decidiu, então, transportar o restante de sua frota de Alexandria para o mar Vermelho, seguindo o canal, ou mesmo através do deserto. Os cruzados fizeram mais tarde uma tentativa semelhante, com sucesso, mas Cleópatra fracassou. Teria sido mais sábio abandonar Alexandria, refugiar-se no Alto Egito, associar-se aos etíopes, lançando-se contra os romanos com uma tática de guerrilha, que teria podido ser longa e favorável a ela. Essa combinação era bastante razoável. Mas desagradava a Marco Antônio e a Cleópatra, que dilapidaram suas forças em tentativas estéreis, até o momento em que Otávio, que havia entrado sem dificuldade no Egito, chegou às portas de Alexandria. O suicídio de Marco Antônio e de Cleópatra pôs fim à guerra.

Por perfídia, Otávio assassinou o jovem rei Ptolomeu XIV, filho de César. A dinastia dos Ptolomeus, a última dos reis do Egito, se extinguiu, assim como o país enquanto Estado autônomo e independente. A partir daquele momento, seu destino se confundiu com o do Império Romano, e depois ele se tornou mais e mais dependente das nações estrangeiras que o ocuparam. Triste ocaso para uma civilização que teve em Cleópatra um marco indelével.

Cronologia
69 a. C.
Nasce Cleópatra, filha do faraó Ptolomeu Aulete, representante da dinastia grega dos Ptolomeus. Ele iniciou seu reinado em 80 a. C.

51 a. C.
Morre Ptolomeu Aulete e assume o poder sua filha mais velha, que se torna faraó com o nome de Cleópatra VII, sem ter ainda completado 18 anos

48 a. C.
A faraó, que deixara Alexandria, guerreia contra Aquilas, que, em coalizão com Potino e Teódoto, instigara o povo contra ela; apresenta-se a Júlio César, enrolada em um tapete, estratagema criado por seu escravo, Apolodoro, o Siciliano

44 a. C.
Júlio César morre assassinado; Cleópatra, que vivia em Roma e tinha um filho dele, volta para Alexandria

41 a. C.
Apresenta-se teatralmente a Marco Antônio, na Sicília, a convite dele
31 a. C.

30 a. C.
Marco Antônio e Cleópatra se suicidam, e o Egito é anexado a Roma

 ===========================================================
Texto original: 



terça-feira, 11 de agosto de 2015

NORMAS que regulam as MANIFESTAÇÕES PÚBLICAS no PAÍS (Decreto 171-69-13)



NORMAS que regulam as MANIFESTAÇÕES PÚBLICAS no PAÍS (Decreto 171-69-13)
 

De acordo com estas normas, a LEGÍTIMA participação em ATOS PÚBLICOS contra o governo (VAIAS, PANELAÇOS, "FORA PT!", "FORA DILMA!", "IMPEACHMENT JÁ!") será concedida nos seguintes casos:


  1-Portadores de Atestado de Pobreza;
 2-Portadores de Cartões do Bolsa Família;
 3-E outras pessoas interessadas que não se enquadrem nos perfis anteriores.


Todos os manifestantes deverão portar um CRACHÁ de LEGITIMIDADE  designando seu perfil. No caso dos beneficiários do Bolsa Família, o próprio cartão preso à roupa servirá de crachá.


 Os manifestantes poderão obter seus CRACHÁS DE LEGITIMIDADE  com os seguintes órgãos de imprensa OU com as seguintes pessoas  :


-BLOG do SAKAMOTO
-BR29
-CARTA CAPITAL
-CONEXÃO HAVANA
-Conversa Afiada;
-Diário Centro do Mundo;
-PORTAL METRÓPOLE
-TIJOLAÇO
-VIOMUNDO


-FREI BETO
-GREGÓRIO DUVIVIER
-LEONARDO BOFF
-LEONARDO SAKAMOTO
-LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO
-PAULO HENRIQUE AMORIM


 (Mais órgãos de imprensa e pessoas poderão se credenciar, desde que PUBLICAMENTE manifestem seu apreço ao GOVERNO)


 É importante frisar que, como se trata de um assunto brasileiro, as representações diplomáticas de Cuba e da Venezuela não estão autorizadas a fornecerem os referidos crachás.


 As pessoas que não se enquadram nos itens 1 e 2 poderão ser submetidas a uma entrevista, observando-se que, se o interessado faz três refeições diárias, mora em casa própria, já viajou pelo menos UMA VEZ a MIAMI , terá seu crachá liminarmente NEGADO.


Enfatize-se que vivemos num Estado Democrático de Direito. Isto significa que a pessoa SEM CRACHÁ poderá se manifestar contra o governo. No entanto, a "pena" prevista é "social": ser chamada de "coxinha", "fascista", "neoliberal", "homofóbico", "elitista", "branco" e "golpista", além de "burro" por não estar vendo a seriedade do governo no trato com o povo...






terça-feira, 4 de agosto de 2015

ASSÉDIO IDEOLÓGICO: VITÓRIA das ANTAS?


ASSÉDIO IDEOLÓGICO: VITÓRIA das ANTAS?





E eis que está tramitando no Congresso projeto de lei que prevê prisão de professor que "falar de política" em sala de aula. Falando assim, parece cômico, mas é algo bem mais sério.

O que se quer evitar é o "ASSÉDIO IDEOLÓGICO" do aluno, uma vez que a escola (em tese) teria que ser "neutra" e o aluno deveria formar sua opinião diante das várias  que lhe seriam apresentadas pelo professor. Pela lei, a pena seria agravada, caso o "assédio" resultasse em constrangimento, em prejuízo para o aluno, como, por exemplo, reprovação. Enfim, o objetivo da lei seria "proteger o aluno" de certos professores...

Em síntese, é esta a discussão em curso no Congresso. Teriam razão os parlamentares favoráveis à medida?

Antes de mais nada, sejamos honestos: há professores que transformam suas aulas em palanques de doutrinação, tornando-se verdadeiros panfletários. E isto de maneira descarada. Não adianta negar. Eles existem, e aos montes.

Um dos objetivos explícitos da lei é evitar que as salas de aula sejam locais de doutrinação, sobretudo da Esquerda, partindo-se do princípio de que a Esquerda, vale dizer, os comunistas fazem este trabalho de base para, em longo prazo, tomarem o poder. Como (para quem sabe), as ideias comunistas são "do contra" o prevalente no status quo, é natural que sejam sedutoras à juventude. Os jovens são naturalmente contra o estabelecido e sempre tem a pretensão de mudar tudo, por bem ou por mal.

A História, neste aspecto, está do lado deles. Não existe movimento revolucionário, isto é, de mudança radical sem a participação entusiástica das novas gerações. Se não for uma simplificação, dir-se-ia que nos processos revolucionários temos os "novos" contra os "velhos". Foi assim na Revolução Francesa, na Revolução Russa, na Revolução Maoísta e até no Nazismo, pois este pretendia reerguer uma Alemanha humilhada e devolver-lhe a glória do passado: a juventude alemã se engajou, uma boa parte dela, apesar de depois ter percebido o equívoco__ mas isto é outra história.

Mas, voltando ao assunto de nossa discussão: cadeia pra professor que fizer proselitismo ou algo semelhante em sala de aula. Será que seria bom para o país? Seria bom para a Educação? Seria um refinamento da Democracia?

Apresentarei alguns casos para a reflexão do leitor.


CASO 1.

Professor de História marxista ensina dentro de sala os males do Capitalismo e aponta o Socialismo como solução para as mazelas reinantes. Segundo ele, o Capitalismo levou o horror, a miséria e a guerra para todos os cantos do mundo. O lucro é essencialmente egoísta e , por causa dele, há uma desumanização da sociedade, o que resulta em muitas tragédias cotidianas. A solução seria esmagar o Capitalismo com a expropriação da burguesia e a transferência dos meios de produção para o controle dos trabalhadores, que passariam a governar. Num primeiro momento, se estabeleceria uma "ditadura do proletariado", que seria o oposto de uma "ditadura burguesa", já que aquela seria uma etapa necessária para vencer a resistência dos antigos donos do poder, ao contrário de uma "ditadura burguesa", onde o objetivo é superexplorar os trabalhadores já por demais explorados.

Alguns alunos discordam do professor e acabam reprovados. O professor é denunciado, processado, julgado e preso.


CASO 2
Um professor de Biologia ensina o Evolucionismo, não sem dizer que é ateu e que as teorias criacionistas são lendas. Alguns alunos se posicionam contra o professor e se declaram favoráveis ao Criacionismo. Ao final do ano letivo, estes alunos ficam em recuperação e acabam reprovados. O professor nega-lhes revisão de prova.


CASO 3
Um professor acredita no Criacionismo e considera uma blasfêmia o Evolucionismo. Os alunos que aceitam o Evolucionismo acabam reprovados.


CASO 4
Um professor de Inglês faz algumas considerações favoráveis aos Estados Unidos. Alguns alunos se insurgem e o consideram um "lacaio do Imperialismo". Estes alunos sistematicamente são submetidos a provas escritas e também orais; geralmente suas notas são abaixo da média da turma.


CASO 5
Professor de Geografia dá a entender aos alunos que é contra a liberdade de expressão. Imediatamente alguns alunos reagem alegando que aquilo fere a Constituição Federal. Apesar disso, são sistematicamente bombardeados com ideias de que a imprensa é mentirosa, abusiva, e detratora da verdade.

CASO 6
Professor de Matemática declara-se a favor da privatização de todas as estatais, alegando que elas dão prejuizos e servem de cabides de empregos para os apaniguados do poder, além de serem, via de regra, ineficientes e ocasionarem rombos no Tesouro. Alunos indignados começam a chamá-lo de "fascista".

CASO 7
Um professor do PSDB faz elogios em sala de aula a Fernando Henrique Cardoso e ao Plano Real. Alunos ligados ao PT e PSOL discordam da abordagem e o criticam. Acabam ficando em recuperação.

CASO 8
Um professor do PT menciona em sala que Lula foi o melhor presidente que o Brasil já teve; que seus 8 anos de governo foram de prosperidade para o país. Alunos de pais do Diretório Regional do DEM colocam em xeque a afirmação do professor, sem esquecer de mencionar a corrupção do Mensalão e da Petrobrás.O professor pede à direção do estabelecimento para que expulse os alunos por indisciplina. Não é atendido. Os alunos são perseguidos e muitos acabam reprovados.

CASO 9
Professor sistematicamente cria os mais variados obstáculos para alguns de seus alunos, principalmente aqueles que são oriundos de classe média alta. Geralmente estes alunos não concordam com suas posturas políticas ou ideológicas.

CASO 10
Professor se pronuncia a favor da estatização dos bancos, e alguns alunos consideram isso um retrocesso econômico e altamente prejudicial ao país. Os alunos são suspensos das aulas por uma semana.


Todos os casos mencionados demonstram o argumento da autoridade. Criada a tal lei, dependendo do viés ideológico conjuntural, o "assédio" será contra a direita, a esquerda, o pobre, o rico, o remediado, o bom aluno , o mau aluno. Enfim, tudo dependerá das circunstãncias. Como se sentiria um aluno evangélico ou católico diante de um professor ateu que o reprovasse? Não teria base para dizer que foi assediado? E um aluno ateu diante de um professor evangélico ou católico? Não seria a mesma coisa?

Como se sentiria um adolescente de família conservadora na aula de um professor socialista? E como se sentiria um adolescente de família socialista na aula de um professor conservador? E se for reprovado? E se houver um atrito? Foi assédio ou aluno era realmente incapaz?

Se eu disser que o regime stalinista foi tirânico, cruel e genocida, a quantos não irei constranger dentro de sala? Se eu disser que os Estados Unidos covardemente lançaram bombas atômicas sobre Hiroxima e Nagasaki__ não poderei causar dor em pessoas pró-americanas? E sobre a covardia inglesa na Guerra dos Boers, falo ou omito? Se eu disser que o bombardeio de Dresden pelos Aliados na Segunda Guerra foi um ato infame__ estarei desvirtuando a juventude?

Estas são considerações atinentes à minha cadeira, História. E às demais? Não haveria também  momentos que poderiam ser caracterizados como "assédio"?

É com base em toda esta argumentação__ e que aqui não se esgota __ e que (des) qualifico este projeto de lei com uma palavra: IMBECIL!
UMA VITÓRIA das ANTAS...