sábado, 12 de maio de 2018
Memorandum From Director of Central Intelligence Colby to Secretary of State Kissinger
99. Memorandum From Director of Central Intelligence Colby to Secretary of State Kissinger
Washington, April 11, 1974.
SUBJECT
• Decision by Brazilian President Ernesto Geisel To Continue the Summary Execution of Dangerous Subversives Under Certain Conditions
1. [1 paragraph (7 lines) not declassified]
2. On 30 March 1974, Brazilian President Ernesto Geisel met with General Milton Tavares de Souza (called General Milton) and General Confucio Danton de Paula Avelino, respectively the outgoing and incoming chiefs of the Army Intelligence Center (CIE). Also present was General Joao Baptista Figueiredo, Chief of the Brazilian National Intelligence Service (SNI).
3. General Milton, who did most of the talking, outlined the work of the CIE against the internal subversive target during the administration of former President Emilio Garrastazu Médici. He emphasized that Brazil cannot ignore the subversive and terrorist threat, and he said that extra-legal methods should continue to be employed against dangerous subversives. In this regard, General Milton said that about 104 persons in this category had been summarily executed by the CIE during the past year or so. Figueiredo supported this policy and urged its continuance.
4. The President, who commented on the seriousness and potentially prejudicial aspects of this policy, said that he wanted to ponder the matter during the weekend before arriving at any decision on [Page 279]whether it should continue. On 1 April, President Geisel told General Figueiredo that the policy should continue, but that great care should be taken to make certain that only dangerous subversives were executed. The President and General Figueiredo agreed that when the CIE apprehends a person who might fall into this category, the CIE chief will consult with General Figueiredo, whose approval must be given before the person is executed. The President and General Figueiredo also agreed that the CIE is to devote almost its entire effort to internal subversion, and that the overall CIE effort is to be coordinated by General Figueiredo.
5. [1 paragraph (12½ lines) not declassified]
6. A copy of this memorandum is being made available to the Assistant Secretary of State for Inter-American Affairs. [1½ lines not declassified] No further distribution is being made.
W.E. Colby
1. Summary: Colby reported that President Geisel planned to continue Médici’s policy of using extra legal means against subversives but would limit executions to the most dangerous subversives and terrorists.
Source: Central Intelligence Agency, Office of the Director of Central Intelligence, Job 80M01048A: Subject Files, Box 1, Folder 29: B–10: Brazil. Secret; [handling restriction not declassified]. According to a stamped notation, David H. Blee signed for Colby. Drafted by Phillips, [names not declassified] on April 9. The line for the concurrence of the Deputy Director for Operations is blank.
domingo, 8 de abril de 2018
Prende e Solta
PRENDE E SOLTA
MARCO AURÉLIO MELLO
09 de março de 2015
Nota: o artigo em sendo de 2015, mostra uma convicção arraigada MUITO ANTES do julgamento do Habeas Corpus de Lula em 04/04/2018
O título deste artigo revela autoria única. Quem prende e
solta é o Estado-Juiz, gerando toda sorte de perplexidade, de decepção para os
cidadãos em geral. A ordem natural direciona a apurar para, selada a culpa,
prender, em execução da pena privativa da liberdade de ir e vir.
Esse enfoque decorre da presunção do que normalmente ocorre,
mais do que isso, do princípio constitucional da não culpabilidade: ninguém
será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória. A impossibilidade de voltar-se ao estado de fato anterior exclui
a denominada execução provisória da pena. A liberdade perdida, ante postura
precoce, temporã, açodada, foge ao campo da devolução. Então, há de admitir-se
uma premissa: o acusado, até então simples acusado, deve responder ao
processo-crime em liberdade, assim permanecendo sob os holofotes da persecução
penal, o que não é pouco em termos de reputação perante a sociedade.
A Constituição Federal, de forma indireta, contém mitigação
a esse princípio, ao versar não só que ninguém será preso senão em flagrante
delito ou por ordem fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos
casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, como também que
ninguém será levado à prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade
provisória, com ou sem fiança.
A prisão temporária é exceção, e mais ainda o é a
preventiva. Presente o princípio da não culpabilidade, o legislador veio a
afastar, como título da prisão provisória, até mesmo, o flagrante. Fê-lo
mediante lei de 2011, estabelecendo a necessidade, se for o caso, de conversão
em preventiva, uma vez não sendo oportuna e satisfatória a adoção, no caso
concreto, de uma das medidas acauteladoras nela previstas.
Mas por que a população carcerária provisória chegou a
patamar praticamente igual ao da definitiva, levando o Conselho Nacional de
Justiça, na gestão do ministro Gilmar Mendes, a realizar um verdadeiro mutirão
de soltura? As razões mostram-se muitas. São potencializados – em inversão de
valores, em abandono de princípios, da máxima segundo a qual, em Direito, o
meio justifica o fim, mas não este, aquele – aspectos neutros, de subjetivismo
maior, sobressaindo o critério de plantão e, com isso, grassando a incerteza, a
intranquilidade, a insegurança.
Em visão míope – e de bem-intencionados, nesta quadra
estranha, o Brasil está cheio –, passou a vingar não o império da lei, mas a
óptica do combate, sem freios, dos desvios de conduta, da corrupção, da
delinquência de todo gênero. A prisão preventiva, talvez, amenize consciências
ante a morosidade da Justiça, dando-se uma esperança vã aos cidadãos, como se
fosse panaceia presente esse mal maior que é a impunidade. A exceção virou
regra, implementando-se, com automaticidade e, portanto, à margem da regência
legal, esse ato de constrição maior que é a prisão. As decisões nesse campo
carecem de fundamentação, desaguando na concessão de ordem em habeas corpus.
Por vezes, potencializa-se a imputação e, em capacidade intuitiva, presume-se
que, solto, o investigado voltará a delinquir. Que se apure, viabilizando-se, à
exaustão, o direito de defesa, para, então, depois de incontroversa a culpa,
limitar-se a liberdade, bem suplantado apenas pela própria vida.
Não é demasia lembrar Machado de Assis – a melhor forma de
ver o chicote é tendo o cabo à mão. Justiça não é sinônimo de justiçamento. A
sociedade não convive com o atropelo a normas reinantes. O desejável e buscado
avanço social pressupõe o respeito irrestrito ao arcabouço normativo. É esse o
preço a ser pago – e é módico, estando ao alcance de todos – por viver-se em um
Estado Democrático de Direito.
Fonte: site do STF
(acessado em 06/04/2018)
sexta-feira, 16 de março de 2018
ÚLTIMAS PALAVRAS, JB, 16/03/2018 - MARIELLE FRANCO
ÚLTIMAS PALAVRAS, JB, 16/03/2018
(Em artigo enviado ao JB horas antes de sua morte, Marielle diz que intervenção não é solução
Jornal do Brasil)
Marielle Franco
Reforma Trabalhista, PEC dos Gastos, Reforma da Previdência. O impacto dessas profundas mudanças, inspiradas em um projeto político retrógrado, alinhado com interesses que servem ao capital internacional e a setores do empresariado, arremessa um contingente de cidadãos e cidadãs para uma espiral de pobreza.
É neste contexto que tentamos ampliar o olhar sobre a Intervenção Federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro e avaliar sua real intenção, já que o estado está em décimo lugar nos índices de violência, atrás de Sergipe, Goiás e Maranhão — para citarmos como exemplos apontados no Anuário de Segurança Pública.
Sendo assim, a Intervenção Federal busca se alicerçar numa justificativa que não tem assento na realidade. Nossa pergunta que não quer calar: por que o Rio de Janeiro?
As últimas experiências mostram que a ocupação das Forças Armadas não resolveu o problema de insegurança. Inclusive, é importante que observemos os anos em que o Exército é levado às ruas para “solucionar” uma situação emergencial. O que há em comum não é um episódio alarmante na segurança, mas o fato de que são todos anos eleitorais. O que tivemos como resultado desta política?
O interventor federal General Braga Netto declarou que “o Rio de Janeiro é laboratório para o Brasil”. E o que vemos é que neste “laboratório” as cobaias são os negros e negras, periféricos, favelados, trabalhadores. A vida das pessoas não pode ser experimento de modelos de segurança. O apontamento das favelas, como lugar do perigo, do medo que se espraia para a cidade, desperta o mito das classes perigosas, como bem ressalta a psicóloga Cecília Coimbra, colocando a favela como objeto principal e inimiga pública.
No último fim de semana, pelo menos cinco pessoas morreram e quatro ficaram feridas na Região Metropolitana do Rio. Delas, quatro eram mulheres. Alba Valéria Machado morreu ao tentar proteger o filho, em Nova Iguaçu. Natalina da Conceição foi atingida durante confronto entre PMs e traficantes na Praça Seca. Janaína da Silva Oliveira morreu em tentativa de assalto em Ricardo de Albuquerque. Tainá dos Santos foi atingida por um tiro de fuzil na comunidade Vila Aliança. São as mulheres negras e periféricas que perdem seus filhos para a letalidade.
Essa estatística assustadora demonstra que mesmo às vésperas de completar um mês do início da Intervenção, a tão falada sensação de segurança não passa de um discurso político-midiático. E as mortes têm cor, classe social e território. Definitivamente a segurança pública não se faz com mais armas. Mas com políticas públicas em todos os âmbitos. Na Saúde, Educação, Cultura e geração de emprego e renda.
É premente a necessidade de monitorarmos esse processo, tendo o cuidado de lutar para que os direitos individuais e coletivos sejam assegurados, para que as instituições democráticas sejam preservadas e sigam autônomas. O contrário disso se revelaria algo bem perigoso em uma sociedade que tem uma tradição patrimonialista, pouco afeita ao trato democrático e que tem uma relação histórica violenta com sua população mais vulnerável.
* Marielle Franco era vereadora da cidade do Rio (PSOL) e relatora da Comissão da Câmara Municipal de Acompanhamento da Intervenção Federal.
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Minha opinião pessoal:
a vereadora revela-se totalmente equivocada sobre a Intervenção Federal na segurança pública do Rio de Janeiro.
Ela fala em mortes de pessoas da periferia, dos pobres __ mas dá a entender que essas mortes são por causa das forças de segurança? Sim, de fato ocorrem, isto é mais do que patente. Mas e a violência sistemática do tráfico e das milícias?
Podemos até dizer que as milícias não matam: afinal, precisam de consumidores para seus serviços extorsivos... Isto não é violência, pelo que diz a vereadora... E o tráfico? Os favelados estão satisfeitos com o tráfico (e as milícias) ou querem que desapareça (desapareçam) de uma vez por todas ? Não é violência quando um morador de favela é OBRIGADO a esconder em sua casa mercadorias roubadas ou armas?
Uma pergunta: a intervenção no Rio foi decretada por causa dos pobres ou por causa do tráfico, das milícias e da banda podre da polícia? O exército entra nas favelas para caçar pobres ou caçar bandidos?
Por tudo isso, reafirmo que Marielle estava equivocada totalmente sobre a INTERVENÇÃO. Ela era decididamente CONTRA. Morreu nas mãos de gente que pensava como ela respeitantemente à INTERVENÇÃO.
E agora seus eleitores , e amigos, e companheiros de partido, e artistas, e jornalistas , e intelectuais cobram dos INTERVENTORES a solução do caso...
sábado, 10 de fevereiro de 2018
ESCLARECIMENTOS IMPORTANTES sobre FANTASIAS de CARNAVAL
ESCLARECIMENTOS IMPORTANTES sobre FANTASIAS de CARNAVAL...
10 de fevereiro de 2018
Na qualidade de professor por quatro décadas, imponho-me o dever de, ainda que aposentado, continuar no meu mister de ensinar. Deste modo, vou acudir os foliões do presente e do futuro sobre as fantasias que devem e não devem ser usadas no Carnaval.
A questão vem à baila quando as redes sociais repercutiram o manifesto de uma cidadã de etnia indígena em que a fantasia de índio é desrespeito aos índios e, pior, uma forma de racismo.
Questão grave, sem dúvida. Sobretudo quando a reclamante tem grande vivência de hábitos indígenas, já que foi adotada em tenra idade por uma família de classe média paulistana, cursou a USP e, certamente, como seus colegas, gritou #foratemer e repudiou o bater de panelas pela classe média fascista, branca, homofóbica, neoliberal, racista e egoísta...
Sigamos...
1 - Homem fantasiado de mulher.
Um homem quando se fantasia de mulher está claramente cometendo o crime de "roubo de identidade" ou "falsidade ideológica". Portanto, homem fantasiado de mulher é uma APOLOGIA ao CRIME e não uma mera fantasia do sexo oposto.
#homemfantasiadodemulhernãoéfantasia.
2- Fantasia de BURRO.
A fantasia de burro é um desrespeito aos eleitores de certos políticos ao longo da história do país. Neste sentido, causa desconforto e pode ser considerada como bullying de cidadãos.
Ademais, segundo a Zoologia, o burro possui um dos maiores pênis da natureza. Pênis de grandes dimensões causam desconforto a muitas mulheres a ponto de elas se negarem ao ato sexual; sem contar que algumas até morrem de tanta dor. Portanto, a fantasia de burro é um desrespeito às mulheres e , pode-se dizer, uma apologia ao feminicídio, algo muito comum numa sociedade machista como a brasileira.
#burronãoéfantasia
3 - Fantasia de MORCEGO
A fantasia de morcego, durante muito tempo, foi uma referência a personagens de filmes de terror, geralmente aqueles seres que esvoaçam com o aparecimento de vampiros.
Hoje em dia, no entanto, a coisa mudou. O morcego é uma animal útil e de preservação ambiental: o morcego quando defeca espalha sementes que frutificam no futuro. Sendo assim, é impróprio fantasiar-se como morcego a pretexto de personagem das trevas __ e isso culmina no ódio a um animal tão útil ao meio ambiente. Trata-se, portanto, de APOLOGIA A CRIME AMBIENTAL.
#morcegonãoéfantasia
4-Fantasia de BATE-BOLA ou CLÓVIS.
Na origem, "Clóvis" é referência ao "Clown", o palhaço. As máscaras distorcidas denotam o ridículo do personagem, maximizano-lhe o humor. No entanto, hoje, "Clóvis" é uma forma de populações da periferia se divertirem no Carnaval. Apesar disso, não é recomendável a fantasia. Por quê? Porque os grupos de jovens são formados por meninos pobres e negros, e a reação a eles em casos de baderna, assaltos, brigas, tiroteios (alguns andam armados...) pode ensejar uma forma de racismo e desprezo pelos pobres.
#clovisnãoéfantasia
5-Fantasia de BRANCA de NEVE
Branca de Neve é aquele personagem que, envenenada pela bruxa, é largada na floresta e achada por sete anões, passando a viver com eles desde então. A fantasia é imprópria, pois desrespeita a mulher e a moral das famílias: afinal, uma mulher jovem vivendo com sete homens sugere promiscuidade sexual, o que é uma forma de dizer que as mulheres em nossa sociedade são objetos desfrutáveis pelos machos.
#brancadenevenãoéfantasia
6- Fantasia de PIRATA
A fantasia de pirata faz alusão ao personagem do romance "A Ilha do Tesouro", de Robert Louis Stevenson, um homem do mar com tapa olho e sem uma das pernas. Em alguns casos, tal qual o personagem, a fantasia é acompanhada de um papagaio no ombro.
A fantasia é imprópria por dois motivos: a)-o papagaio é um animal silvestre protegido, e sua presença na fantasia pode estimular o comércio ilegal de animais silvestres, o que é UM CRIME, portanto uma APOLOGIA AO CRIME.
b)- não obstante o pirata ser um ladrão dos mares, trata-se de um duplamente portador de deficiência física, e os deficientes merecem nosso carinho e respeito.
#piratanãoéfantasia
7 - Fantasia de GREGO
A aludida fantasia traz uma carga de eurocentrismo e, consequentemente, de desprezo pela cultura de outras partes do mundo.
#gregonãoéfantasia
8 - Fantasia de EGÍPCIO
A fantasia de egípcio deve ser evitada porque faz alusão ao Rio Nilo, de águas abundantes, e, por isso, pode ser considerada uma fantasia que escarnece de milhões de pessoas que não possuem água para beber.
#egipcionãoéfantasia
9 - Fantasia de MULHER MARAVILHA
É permitida, pois se trata de uma apologia e homenagem ao empoderamento feminino.
#mulhermaravilhaéfantasia
10 - Fantasia de VEADO
Outra fantasia permitida, pois o homem tem a oportunidade de exibir o seu lado feminino e ganhar o respeito e admiração das mulheres, além de colaborar, no longo prazo, com o fim do machismo.
#veadoéfantasia
Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 2018
Jorge Luiz da S. Santos (Jorge o da Viriato)
Professor aposentado.
sábado, 27 de janeiro de 2018
As 4 mentiras mais contadas pelos petistas sobre o governo Lula
As 4 mentiras mais contadas pelos
petistas sobre o governo Lula
por Felippe Hermes
(Artigo de 2016)
Muito antes dos grampos da Operação Lava Jato exporem parte
daquilo que o ex-presidente Lula realmente diz em privado sobre outros
políticos e instituições, outros surtos de sinceridade já ajudaram a
compreender o ex-presidente muito além dos discursos e palanques. Em um destes
momentos, reunido com blogueiros pró-governo, em abril de 2014, Lula explica
com certa clareza, como mentir e inventar estatísticas sobre os governos aos
quais se opunha era parte natural do seu trabalho enquanto oposição. Sobre o próprio
governo, porém, um olhar mais atento mostra que, se não chegou a mentir, Lula
não teve em momento algum receio de contar meias-verdades ou apropriar-se de
feitos não necessariamente seus.
Muito além de criar números inexistentes, como a alegação
de que durante seu mandato 36 milhões de brasileiros saíram da extrema
pobreza (número contestado pelo próprio Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, ligado ao Palácio
do Planalto, que alega terem sido 8,4 milhões), o ex-presidente viu as
estatísticas de seu governo variarem ao sabor do vento, tudo de acordo com os
caprichos dos discursos políticos.
A prática não é exclusividade do governo de Lula. Em 2014, a
FAO, organização da ONU para a agricultura, mudou sua metodologia para medir a fome, e como num
passe de mágica, as pessoas que passam fome no Brasil caíram de 7% para 1,4%.
Pela primeira vez na história, o Brasil saiu do “mapa da fome”. A FAO é
comandada atualmente por José Graziano, ex-ministro de Lula e responsável por
criar o “Fome Zero”.
Em outro caso, envolvendo apenas organizações tupiniquins, o
IBGE alterou a metodologia do PIB, tornando a recessão de 2014 um ‘crescimento
zero’, evitando, ao menos por enquanto, que o Brasil tenha pela primeira vez na
história 3 anos de crescimento negativo. Por fim, no mais conhecido dos
casos, o mesmo IPEA determinou que brasileiros com renda per capita de R$ 291
pertenceriam à classe média.
Mas manipular números não é o bastante. Aqui, separamos
as 4 mentiras mais contadas sobre o governo Lula.
1. Nenhum país do mundo fez o que o Brasil fez na área
econômica e social.
O bom desempenho da economia brasileira ao longo da primeira
década dos anos 2000 é ainda hoje a conquista mais comemorada por qualquer um
que busque exaltar o governo Lula. Não à toa, os bons números da economia
representam a pedra angular que explica o crescimento de programas do
governo voltados para a área social. Graças a um aumento recorde de arrecadação
(que mais do que dobrou entre 2002 e 2010), o governo pode estar presente
no cotidiano de dezenas de milhões de pessoas.
A conjuntura onde este crescimento se deu, porém, foi
daqueles fatos raros, poucas vezes presenciados na história brasileira. Para
ser mais exato, apenas em 1902, no grande ciclo internacional da borracha,
tivemos um país saído de ajustes internos no exato momento em que a principal
especialidade brasileira (as commodities, em especial as agrícolas), começaram
a subir de preço. Para o Goldman Sachs, o aumento médio das commodities durante
o período foi de 723%.
Vender o mesmo produto por quase 7 vezes mais foi uma das
causas desta riqueza em abundância.
Entre 2002 e 2010, cerca de US$ 252 bilhões em superávits
comerciais entraram na economia brasileira, inundando o país de riqueza.
O comércio, claro, não explica todo sucesso brasileiro no
período. Atualmente, a economia brasileira é a mais fechada dentre todas as 20
maiores economias do mundo, demonstrando que apesar de termos crescido,
poderíamos ter feito mais. Boa parte da sensação de crescimento existente no
país esteve assentada no aumento do crédito, que subiu de 23% para 46% do PIB,
como consequência da primeira estabilidade da moeda brasileira desde… 1902.
Se compararmos a outros países, porém, o sucesso
brasileiro não foi tão expressivo. Crescemos mais do que nós mesmos, é verdade,
mas ainda assim, fomos o penúltimo colocado no continente, à frente apenas
do México.
Segundo o FMI, em 2002, o PIB brasileiro equivalia a 3,2% do
PIB mundial, já em 2010, esta participação era de 3,18%. Em 2015 este número
está em 2,84%, demonstrando que crescemos significativamente menos que o restante do mundo, de modo que não apenas
outros países “fizeram o que o Brasil fez”, como fizeram ainda mais.
No campo social não é diferente. Segundo o IPEA, a pobreza
no Brasil caiu significativamente, mas o começo desta queda não foi exatamente
a eleição do ex-presidente Lula. Para o IPEA, o começo da queda da pobreza no
Brasil foi a criação do Plano Real e o fim da inflação. Em 1992, havia 19,1
milhões de pessoas extremamente pobres no Brasil, contra 14,9 milhões em 2002 e
6,5 milhões em 2012. Para o instituto, além do fim da inflação, o aumento do
nível de emprego foi outro fator preponderante para a queda. Programas sociais
representam apenas 15% desta queda, contra mais de 2/3 de aumento da renda do
trabalho.
Os números brasileiros são positivos, mas nada que se
distancie do restante dos países. Entre 1990 e 2015, a pobreza caiu 50% no
mundo, e mais de 60% nos países emergentes. Os países responsáveis por puxar a
queda são justamente alguns dos mais populosos. Para o Banco Mundial, 2035
representará o ano histórico em que a extrema pobreza (pessoas com renda menor
do que 1 dólar por dia), será extinta, ainda que Lula não seja presidente do
mundo.
2. O Brasil pagou a dívida externa.
Assistindo dez calotes na dívida entre 1898 e 1990 (o
último), não é de se estranhar que o brasileiro associe dívida externa à
fragilidade e problemas. Para boa parte do mundo, no entanto, dívida é uma
forma de alavancar investimentos. Ao realizar a aquisição da cerverja SAB
Miller, os brasileiros donos da AMBEV, liderados por Jorge Paulo Lemann,
recorreram a um empréstimo de US$ 47 bilhões, pagando juros de 4,25%. O número
é expressivo, a segunda maior captação de dívida já realizada por uma empresa
no mundo, significando um valor maior do que a atual dívida externa brasileira
a um custo mais baixo.
Como o exemplo da AB Inbev, a empresa controladora da Ambev,
deixa claro, dívida pode vir a ser uma solução, para aqueles que possuam boas
qualificações para tomar crédito, e utilizem os recursos de forma eficiente. Ao
atrair o grau de investimento em 2008, a economia brasileira viu um boom de
endividamento por parte das empresas. Para companhias como a Globo, a companhia
aérea Gol ou o frigorífico JBS, a oportunidade de captar dinheiro no exterior
fez com que financiar as suas operações se tornasse extremamente mais barato.
Para o governo, porém, aumentar o endividamento não pareceu
uma boa ideia. Entre 2002 e 2010 o governo brasileiro procedeu no sentido
contrário, vendendo títulos da dívida interna, aquela paga em reais, com juros
que hoje giram em torno de 14,25%, para pagar a dívida externa, cujos juros
ficam em torno de 4%. Para o governo, realizar esta operação significou “menos
turbulências”, uma vez que a dívida externa não está sujeita à variação do
dólar. O efeito político, porém, foi notório.
Composta por inúmeros credores, a dívida externa brasileira
foi por muito tempo associada a um único deles: o FMI. A razão para isso é
clara. Como não possui bom histórico de crédito, apenas uma entidade se dispôs
por um bom tempo a emprestar quantias consideráveis ao Brasil – o próprio FMI.
Isto ocorre porque a entidade é financiada por outros governos, e empresta com
o intuito de influenciar a adoção de políticas comuns aos países como exigência
aos empréstimos.
O ato político de Palocci, então Ministro da Fazenda, representou o
pagamento da dívida relativa apenas ao FMI, de US$ 15 bilhões, com recursos
oriundos da criação de uma dívida ainda mais cara, a interna. Para a população
em geral, o que contou foi livrar-se do “grande credor”. Em nenhum momento do
seu anúncio, porém, Palocci mencionou ter conseguido os recursos por meio de
outras dívidas.
Atualmente, a dívida externa pública gira em torno de 10% da
dívida externa total, e meros 5% da dívida do governo. O endividamento total do
governo por sua vez, está em R$ 3,6 trilhões, implicando em juros superiores a
R$ 600 bilhões anuais.
Com reservas internacionais de US$ 374 bilhões, o governo
tornou-se o que se chama de “credor líquido’ – ou seja, possui mais caixa do
que dívida. O chamado ‘custo de carregamento’ das reservas – o custo de pagar a
dívida que garantiu os recursos para comprar estes US$ 374 bilhões – é estimado
em R$ 120 bilhões mensais. Imagine que você tenha pago o crédito consignado com
o cartão de crédito e ainda faça propaganda de que “livrou-se das dívidas”. Com
o governo, a situação não mudou muito.
3. O Brasil se tornou autossuficiente na produção de
Petróleo.
O boom do petróleo, cujo preço do barril saltou incríveis
1.200% ao longo da década de 2000, fez explodir ao redor do mundo regimes
financiados pelos ‘petrodólares’. Do Oriente Médio à America Latina, governos
enriquecidos com o dinheiro do petróleo fizeram as mais absurdas aquisições,
como uma Copa do Mundo no Qatar ou a força aérea mais moderna do continente,
detida pela Venezuela.
Para o Brasil, que chegou a ter uma das 10 maiores empresas
do mundo, o efeito foi também expressivo, apesar de a Petrobras não representar
na economia brasileira o que representa o petróleo nestes outros países (por
aqui, a cadeia de prestadores de serviços da Petrobras esta em 20% do PIB).
Em torno desta festa de dólares, não é de se estranhar que
tenham nascido inúmeros mitos. Poucos deles, no entanto, chegam perto do que
foi o anúncio da “autossuficiência”. Para uma população acostumada a acreditar
que comércio exterior é algo que ‘não é para o Brasil’, a ideia de que
dependemos menos do resto do mundo cai como uma luva.
Só há um problema com esta ideia: ela é falsa, do início ao
fim.
Entre 1953 e 1997, produzir petróleo no Brasil era uma
exclusividade da Petrobras. O monopólio do petróleo, criado por Getúlio Vargas,
garantiu que nenhuma empresa nacional ou estrangeira pudesse investir para
produzir por aqui. Como consequência de um país não acostumado a poupar, nossa
produção interna mal supria metade das necessidades.
A consequência do aumento do preço do barril e da permissão
para investimento privado não poderia ter consequências diferentes. Entre 1997 e 2010, a produção de petróleo no Brasil
saltou de 741 mil para 2,271 milhões (estamos estagnados desde então). Por
volta de 2005, em termos puramente numéricos, a produção e o consumo se
igualaram, motivo que levou o governo a comemorar a ‘autossuficiência’.
Do ponto de vista técnico ou econômico, consumo e produção
nunca se encontraram por aqui. O Brasil ainda hoje continua produzindo óleo
pesado e importando óleo leve, uma vez que nossas refinarias foram construídas
em uma época na qual importar óleo leve do Oriente Médio era muito mais barato
e eficiente do que produzir o óleo pesado existente por aqui.
O déficit na ‘conta petróleo’ atingiu US$ 20,3 bilhões em
2013, e US$ 5,6 bilhões em 2015. Na prática, continuamos importando mais do que
exportando.
4. O Brasil foi o último a entrar e o primeiro a sair da
crise.
Muito mais do que o próprio sucesso, o aparente fracasso da
economia americana foi a pá de cal que era preciso para sedimentar a idéia de
que “enfim, vencemos”. Nós estamos certos, pois continuamos crescendo, enquanto
os países ricos afundam em suas crises. Em um misto de antiamericanismo e um
revanchismo barato, o Brasil viveu uma onda de ufanismo das mais curiosas.
Uma análise da crise de 2008, a crise do ‘subprime’, no
mercado imobiliário americano que se alastrou pelo mundo, mostra que há pouco
ou nenhum paralelo com a maior parte das crises já enfrentadas pelo Brasil.
Trata-se da maior crise do capitalismo desde 1929, e desta vez, nossa economia
não sofreu um abalo tão grande. Em 1930 e 1931, o Brasil registrou pela
primeira vez uma queda de 2 anos seguidos no seu PIB – e isto porque a crise de
1929 fez desabar os preços do café, nossa commoditie na época. Desta vez,
porém, a crise não impactou nos preços de mercadorias comumente vendidas pelo
Brasil, uma vez que o grande consumidor, a China, continuava a crescer.
A crise de 2008 foi especificamente uma crise originada pelo
sofisticado sistema financeiro internacional, um clube no qual o Brasil, até o
mesmo ano de 2008, não estava autorizado a participar. Sem o grau de
investimento, nossa participação junto ao sistema financeiro internacional era
pouca ou quase nula. Nenhum banco brasileiro comprou em escala significativa os
CDO (obrigações de crédito colateralizada, traduzida por aqui como
“derivativos”). Nenhum banco brasileiro quebrou ou sofreu grandes prejuízos com
a crise.
Para algumas empresas, porém, a situação foi um pouco
diferente. Perdigão e Aracruz tiveram prejuízos bilionários com os derivativos
e tiveram de ser vendidas para dar origem a outras empresas. Nada muito
relevante.
Nossa pouca participação no epicentro da crise, de fato nos
garantiu ser um dos últimos a entrar. O motivo de termos “saído” em 2010 é a
causa mal explicada na história. Em 2008, demos início à chamada “política
dos campeões nacionais”. Cerca de R$ 450 bilhões foram injetados no BNDES para
financiar grandes obras, e o governo se tornou um personagem mais presente na
economia. O crédito por parte de bancos públicos chegou a 52% do total. E se
tudo isso lhe parece conhecido, é porque provavelmente você já deve ter visto
estas medidas em uma análise do que é a “Nova Matriz Econômica”. A aposta no
crédito para induzir o crescimento na economia nasceu justamente como resposta
“anticíclica” à crise. Saímos da crise utilizando capacidade ociosa para gerar
consumo e um aparente clima de crescimento.
O PIB de 2010, porém, que chegou a 7,2% de crescimento, não
tardou a diminuir. Entre 2011 e 2014, registramos dia após dia uma queda no
nível de crescimento, até chegar a zero em 2014, e então os -3,8% de 2015. Em
suma, nós saímos da crise americana criando a nossa própria crise.
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
O paradoxo de Münchhausen do caso Lula: se o MPF ganhar, Moro perde
O paradoxo de Münchhausen do caso Lula: se o MPF
ganhar, Moro perde
22 de janeiro de 2018
Este artigo também poderia ter o seguinte título: Para
além da Lei de Münchhausen, que se ergue pelos próprios cabelos, existe a lei
da gravidade. Bom, mão à obra. Muito já se escreveu sobre o julgamento que
ocorrerá nesta quarta-feira (24/1). O caso Lula. De Ferrajoli à Zaffaroni,
passando por inúmeros juristas brasileiros, afora o livro que contou com mais
de 100 juristas pátrios.
Claro que ainda há muito a dizer. A começar pelo silêncio de
parcela expressiva da comunidade jurídica, que, para mim, se deve ao
"fator torcedor". Coisa nossa. Quando Temer foi vítima de prova
ilícita, poucos tiveram a coragem de apontar isso. Os leitores sabem que fui um dos
primeiros a denunciar as provas ilícitas contra Dilma e Lula e também as provas
ilícitas contra Temer.
Já no calor dos acontecimentos. E sobre as ilegalidades nos
pedidos de prisão de Sarney e outros. E a flagrante ilegalidade das conduções
coercitivas. Permito-me, assim, pela enésima vez, repetir meu bordão: o
Direito não deve ser corrigido por argumentos morais e políticos. O Direito tem
de resistir à moral e à política. Quem filtra a moral é o Direito e não o
contrário.
Aliás, aqui me permito dizer: estou dizendo, nada mais, nada
menos, do que disse o Corregedor de Justiça do Tribunal de Justiça na ConJur de
21.1.2018: “Juiz não pode julgar de forma ideológica, nem com os olhos
voltados para a política". Por isso, acrescento, quem vibra com gol de
mão não pode mais se queixar de mão alguma. E a Constituição Federal é o
remédio contra maiorias que não conseguem se segurar e caem no "fator
Merval Pereira", responsável pela Escala RR- Raiva-Richter: quando passa
do índice 8, a mídia treme. É o caso do julgamento de Lula. Há um terremoto no
ar.
Pois o silêncio de parcela enorme da comunidade jurídica é
cortado pelo grito de um jornalista — insuspeito por suas notórias diferenças
políticas com o PT e com a esquerda, especialmente Lula. Falo de Reinaldo
Azevedo, que vem apontando, de há muito, que mesmo contra inimigos devemos
respeitar o devido processo legal. Reinaldo e eu temos uma coisa em comum: o
conservadorismo. O meu, um conservadorismo constitucional — minha ortodoxia em
relação a Constituição Federal; o de Reinaldo, um conservadorismo político,
atento aos fatos que podem colocar por terra o cerne da democracia: o respeito
ao Estado de Direito.
Nenhum dos dois sobreviveríamos fora da democracia. Daí
nosso zelo. Por isso, Reinaldo tem feito análises melhores que parcela dos
juristas. Que silenciam sobre o caso ou que substituem o Direito por seus
juízos morais ou moralistas. Reinaldo deveria receber o título de "jurista
honorário". Porque não se comporta como torcedor.
Em programa de rádio destes últimos dias que antecedem o
julgamento, Reinaldo deixa claro o que até um jornalista sabe (mas parece que
os juristas, não): provas tem de ser
robustas. E ele disse neste link: Ministério Público acusou Lula de ter recebido
propina em três contratos. Os contratos eram da Petrobras. A denúncia (íntegra aqui) oferecida pelo Ministério Público Federal é
clara ao afirmar com todas as letras, que os recursos que resultaram no tríplex
do Guarujá derivaram de três contratos mantidos por consórcios integrados pela
OAS com a Petrobras: um para obras na Refinaria Getúlio Vargas-Repar e dois
para a Refinaria Abreu e Lima. Mas, vejam as contingências.
Moro condenou Lula, mas não por
isso. Condenou por ato de ofício "indeterminado", figura
"nova" no direito. Ou condenou "porque sim". No fundo, Moro
ignorou a denúncia. Que, na verdade, serviu mesmo para ele fixar sua competência.
E se fi(x)ou unicamente na delação de Léo Pinheiro (sobre delações servindo
como prova plenipotenciária nem é preciso mais falar — há jurisprudência do
próprio TRF-4). Pois, fixada a competência, Moro já não precisava mais do
"nexo causal Petrobras-Propinas”, tanto é que formalmente disso abriu mão
ao responder aos embargos de declaração. Vejam o que disse o juiz Sérgio Moro:
"Este juízo jamais afirmou, na sentença ou em lugar algum, que
os valores obtidos pela Construtora OAS nos contratos com a Petrobras foram
usados para pagamento da vantagem indevida para o ex-Presidente".
Bingo. Desde o início Reinado avisou sobre isso (e a defesa
também, é óbvio). Também falei sobre isso. Qual é o busílis? Simples: O que
segura(va) a competência de Moro na "lava jato" é(r)a o nexo causal
dos fatos com negócios escusos envolvendo a Petrobras. Mas, como Moro
disse o que disse nos embargos, o que fica em pé? Reinaldo (volto a
ele porque deu lição nos juristas torcedores) deitou e rolou falando desse
fato. E ele tem razão. Porque, se o MPF ganhar o recurso, quem perde é Moro
(Moro, paradoxalmente, terá que torcer contra o MPF!).
Só que Moro, ao dizer que não havia dinheiro dos contratos
da Petrobras, perde-se nas palavras. Sem dinheiro da Petrobras, cessa tudo o
que a antiga musa canta. Competência não se escolhe. Simples assim. A linguagem
é um pharmakon: remédio, veneno ou cosmético... Palavras são
lancinantes. O que Moro disse nos embargos... embarga. Bingo de novo. Palavra
é pá-que-lavra. E, no caso, os sulcos lavrados foram profundos.
Se fosse possível representar em uma frase os paradoxos da
sentença (e do processo), talvez a melhor seria a dita pela testemunha Grigóri
Vassílievitch no julgamento de Dmítri Karamázov, no clássico Os Irmãos
Karamazov, quando se discutia uma prova, a saber, o dinheiro que
desaparecera da casa da vítima, pai do acusado:
"— não vira nem ouvira literalmente ninguém falar
daquele dinheiro, até o momento em que todos começaram a falar nele".
Dostoiévski inventou a pós-verdade! Lá, n'Os Irmãos
Karamazov, como cá, no julgamento de Lula, prova é narrativa; é crença; é
pós-verdade. E esta questão é de suma importância. Por que digo isso? Simples.
Se alguém diz que o futuro do Brasil depende desse julgamento, é um exagero, é
claro. Mas, sem dúvida, se alguém afirmar que o futuro do Direito e da teoria
da prova dependem desse julgamento, terá toda a razão. Se até aqui já houve
tantos atropelos à Constituição Federal, vamos ver o que ocorrerá depois...
Vários institutos jurídicos
dependem desse julgamento. O que ensinar nas aulas sobre prova? Ensinar que
“prova é uma questão de crença, de probabilismo”? Juristas de todo o país: isto
é coisa séria. Mataremos Malatesta, Cordero, todas as teorias garantistas?
Bom, não sei como isso vai terminar. Uma coisa é certa:
Direito não pode ser substituído por argumentos morais e políticos. Parcela
considerável dos juristas (falo só de quem tem a obrigação de conhecer um pouco
de teoria da prova e devido processo legal) pode e tem o direito de odiar o réu
(neste caso ou em tantos outros). Todavia, tem de saber qual é o preço a pagar.
E tem de responder à pergunta: será que os fins justificam os meios? Será que o
Brasil vai retroceder ao inquisitivismo?
No caso Lula, independente de
outras questões que possam exsurgir, uma coisa ficou patente. Se acreditarmos
no que disse o juiz Sergio Moro nos embargos de declaração — e não temos
motivos para não acreditar no que disse — então ele mesmo tirou o chão onde
pisava. Sua competência estava pendurada, calcada, fundada na Petrobras. Se ele
mesmo disse que "este juízo não viu nada em relação à propina da
Petrobras", então ficou um vazio. Um sem chão.
Então, se Moro retirou o próprio
chão onde pisava, resta saber ser o TRF-4 fará como o Barão de Münchhausen,
quem, afundando no pântano com seu cavalo, conseguiu se erguer a si mesmo,
puxando-se pelos próprios cabelos. Só que “puxar-se a si mesmo pelos próprios
cabelos” — já que Moro retirou o próprio chão — é um paradoxo. E paradoxos são
coisas que são impossíveis de explicar. Porque, simplesmente, são... paradoxos.
A ver, pois!
Como constitucionalista, quero apenas dizer que esse
julgamento não é o Armagedom. a batalha final entre o bem” e o mal” (quem seria
um e o outro?). Para além da “lei de Münchhausen”, existe a lei da gravidade! E
o dia seguinte!
Lenio Luiz Streck é
jurista, professor de Direito Constitucional e pós-doutor em Direito. Sócio do
escritório Streck e Trindade Advogados Associados: www.streckadvogados.com.br.
domingo, 21 de janeiro de 2018
GLOSSÁRIO de HASHTAGS
GLOSSÁRIO de HASHTAGS
#BFF
Essa sigla bastante conhecida representa as primeiras letras
das palavras que formam a expressão “best friends forever”, que, em português,
significa “melhores amigas para sempre”. Por isso, sempre que houver posts
sobre amizade, é bastante provável que essa tag esteja presente.
#FBF
Essa tag tem uma função e um significado bastante parecidos
com a de cima. As letras F, B e F fazem parte do termo Flashback Friday, que
significa, em português, sexta-feira do flashback, recurso usado em filmes e
séries para recordar momentos ocorridos em tempos passados. Ou seja, se for
postar foto antiga na sexta, pode usar #fbf sem medo de errar.
#foodporn
Não precisa pensar besteiras: essa tag costuma ser usada quando o objetivo é destacar a foto de uma comida extremamente deliciosa. O termo food porn indica a apresentação glamurosa de alimentos, como é feito em propagandas e comerciais e acabou sendo absorvido pelos usuários nas redes sociais.
Não precisa pensar besteiras: essa tag costuma ser usada quando o objetivo é destacar a foto de uma comida extremamente deliciosa. O termo food porn indica a apresentação glamurosa de alimentos, como é feito em propagandas e comerciais e acabou sendo absorvido pelos usuários nas redes sociais.
#follow4follow ou #like4like
As duas expressões têm o objetivo de angariar novos
seguidores. Follow4follow e like4like são versões em “internetês” de follow
for follow e like for like, que significam, respectivamente, seguir
para seguir e curtir para curtir. Ou seja, é uma espécie de código entre
instragrammers para trocar likes e seguirem-se mutuamente.
#instagood
Quarta hashtag mais popular no Brasil em 2017, #instagood
costuma ser usado quando os usuários postam conteúdos dos quais se orgulham,
como um belo pôr do sol, um lugar turístico, uma refeição apetitosa e por aí
vai.
#latergram
Essa hashtag é usada para aquelas fotos publicadas posteriormente ao momento em que foram tiradas. Por exemplo, é válida quando o usuário posta a imagem de um piquenique que ocorreu de manhã no final da noite ou exibe as fotos da balada apenas na tarde do dia seguinte. Nesses casos, é #latergram neles.
Essa hashtag é usada para aquelas fotos publicadas posteriormente ao momento em que foram tiradas. Por exemplo, é válida quando o usuário posta a imagem de um piquenique que ocorreu de manhã no final da noite ou exibe as fotos da balada apenas na tarde do dia seguinte. Nesses casos, é #latergram neles.
#lol
Essas três letras reunidas são o equivalente ao nosso
HAHAHAHA. LOL é a sigla para laugh out loud ou rir alto, em livre tradução, e
pode ser aplicada para dar visibilidades às imagens que representam momentos
engraçados e divertidos da vida.
#nofilter
Essa é bastante simples de entender: significa “sem filtro”
e é usada, obviamente, quando a imagem é postada da forma como foi tirada, sem
a adesão de qualquer efeito através de aplicações de edição de imagem.
#OOTD
Comum entre os fashionistas e o público ligado à moda, a
#OOTD significa “Outfit of the day”, ou seja, “roupa do dia”. É perfeita para
quem gosta de postar os looks diariamente ou quer destacar aquele visual
incrível antes de um evento importante.
#pas
Uma brincadeira com a palavra paz, o termo se popularizou
depois que um tweet controverso de um senhor chamado Joaquim Teixeira
viralizou. Após um discurso que mistura “xis beicon” (sic) e “tiros”, ele encerra
o post com #pas. Depois disso, claro, passou a ser usado de forma irônica e
divertida nas redes sociais.
#picoftheday ou photooftheday
As duas hashtags acima são usadas para designar a mesma
coisa: foto do dia. Apesar de ter um significado bastante amplo, costuma ser
usada por aqueles que desejam ter a imagem destacada nas páginas referentes a
essas tags.
#picstitch ou #vsco
As tags acima se referem, respectivamente, aos programas de
edição de imagem Pic Stitch e VSCO Cam. Normalmente são utilizadas para indicar
que as fotos postadas foram trabalhadas nesses apps e, de um modo geral, as
páginas referentes a elas costumam reunir fotos muito bonitas e artísticas.
#repost ou #regram
Ambas as expressões são utilizadas quando o usuário publica
a foto de outro instagrammer e, normalmente, atribui o crédito ao perfil que realizou
o post originalmente.
#TBT
Toda quinta-feira, os usuários se deparam com fotos com a
legenda #tbt. As letras t,b e t são componentes da expressão Throwback
Thursday, que pode ser traduzida como quinta-feira do retorno ou do regresso.
Por isso, especificamente nesse dia da semana, muitas pessoas realizam posts de
fotos antigas, relembrando momentos saudosos do passado e utilizam a hashtag
acima para ilustrar (e, claro, aparecer na página de hashtag correspondente).
#TGIF
Muita gente gosta de usar essa
sigla, que representa a expressão “Thanks God is Friday” ou, em bom português,
Graças a Deus é Sexta-feira. Essa aqui sequer precisa de explicação. É só amor
pelo dia que antecede o final de semana.
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